segunda-feira, 18 de maio de 2009

A palavra que aconchega e encanta!

Fotos: Ana Paula S. Bezerra


Este final de semana foi muito importante e significativo, pois pude aprender e ensinar. Recebi um convite do Coletivo Griot’s de ser uma facilitadora numa roda de literatura feminina, a principio aceitei, mas fiquei preocupada, o que eu iria abordar, pois não é porque sou mulher, que me qualifica sobre a temática. Eu não sou uma especialista, sou apenas uma curiosa dos pensamentos das mulheres de todos os tempos e realidades sociais. Mas em especial, amo a literatura escrita por mulheres negras, por ser uma delas e por acreditar na importância da sua força, luta, ginga e ideais.
Estávamos em oito pessoas reunidas, no CIC Encosta Norte, sábado no finzinho da tarde, lá no alto, onde o vento assobia e abraça o bairro com sua ventania, que sacode as cortinas, bate portas e janelas e sai sorrindo por todos os cantos dos milhares de apartamentos populares que caracterizam a comunidade.
Ana Paula, conhecida como Paulinha foi à anfitriã, até então eu achava que era a outra Ana Paula, que é conhecida como Aninha (esses detalhes são internos do Coletivo) nos encontramos no Brás e fomos conversando tão empolgadas que esquecemos que se passaram por volta de uma hora e 20 minutos até chegar no CIC, foi uma das poucas vezes que eu cheguei antes do horário. Ficamos ali observando uma aula para bombeiros miris, aguardando as pessoas chegarem.
Iniciei me apresentando,mas falando muito pouco que eu queria cumprir a tarefa proposta. Comecei com o Zenzele – Uma carta para a minha filha, da escritora zimbabuense, J. Nozipo Maraire, foi deste livro que encontrei o meu pseudônimo e nome do meu fanzine Mjiba. As Mjibas são mulheres que lutaram a favor da Independência de Zimbábue, temidas e admiradas, elas matavam para cumprir um ideal de libertação. Mjiba é um dialeto chona, que significa Jovem Mulher Revolucionária.
Foram feitos alguns comentários e prossegui com a leitura de Carolina Maria de Jesus, Diário de Bitita, li um dos capítulos que falavam porque Bitita quando criança queria virar homem. Este texto é um misto de tristeza e alegria, sorriso amargo e lágrima doce, costumo sempre dizer, pois tem uma hora que ela fala do alimento, o sonho dela era comer pão com sardinha todos os dias, e ficamos comentando como o alimento na nossa infância, era inacessível, comer danones era visitar o céu estrelado, bolacha recheada era pra quem tinha madrinha com varinha e esses enredos alegre-triste da infância, que as coisas ganhavam mais proporções do que elas valiam de fato.
Prossegui nessa literatura que envolve o imaginário da menina, com a leitura do conto, o Enterro da Barata, da escritora Geni Guimarães (ela já participou da série Cadernos Negros, só não lembro as edições), neste texto a menina tem mania de imitar animais, ela não queria mais conversa com as pessoas, só falava o necessário. Numa tarde ela viu várias formigas, levando uma barata morto,imaginou ser uma falta de respeito não acompanhar o enterro e ficou até o finalzinho da tarde, a família estava desesperada e ela simplesmente falou que estava sendo solidária só isso. A família pensou que ela estivesse com um encosto, e a levou numa benzedeira que disse que ela estava sendo acompanha pelo Espírito de Zumbi. E foram vários rituais para que a menina fosse curada...e segue com mais elementos...
Ficamos conversando sobre a imaginação infantil.
A roda de conversa foi assim gostosa e aconchegante, não quero cansa-los com a minha felicidade, mas fica o convite para as próximas rodas, a primeira foi o Sacolinha e provavelmente a terceira será o Akins.
Aguardem. Agradeço ao Coletivo, fiquei muito contente de compartilhar palavras, carinho, bolachas e refrigerantes. Vida Longa para o Coletivo e suas atividades.
Abraços poéticos
Elizandra Souza, 18 de maio de 2009.




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2 comentários:

Paulinha disse...

Minha flor!

Agradeço imensamente pela presença e companhia agradabilíssima durante as horas de viagem!! Realmente adorei saber um poquinho de você, de ver seu sorriso largo e de perceber que estava me sentindo super à vontade (é q, às vezes, me sinto meio acanhada..rs).
Realmente aprendi mto e com certeza agucei minha vontade de sair explorando essa literatura com a qual ainda não tenho intimidade.

Foi uma tarde maravilhosa!

Vc é linda!!!

beijão, Paulinha.

Migh Danae. disse...

Sem contar sobre a nossa festa depois...