sexta-feira, 25 de maio de 2012

Dupla poética - Elizandra Souza (SP) e Valéria Fagundes (PE)



Participar da 4ª Mostra Brasil - Juventude transformando com arte me rendeu conhecimento, novos desafios e muitas amizades espalhadas nos quatro cantos do Brasil. Tudo começou por e-mail preparar uma oficina de poemas junto com uma poeta que eu não conheci. Escolhemos o tema "sonho" para construi algo. Só nos conhecemos no dia 18, ainda bem que nos demos bem...risos..."unha e carne" como dizia minha  vó...Os desafios vieram com os dias, criar poemas para o encerramento da nossa apresentação no "Mistura de linguagens"...essa proposta nos tirou o sono, a vontade de passear...mas exigiu nossa atenção nos ensaios..foi ai que percebemos o quanto nossas artes eram parecidas, semelhantes, peculiares...Muitas das atividades culturais tinham as mesmas características vinham de projetos sócio-culturais com as mesmas dificuldades de continuidade, mas que na hora que a luz do palco se acendia desfilavam sonhos e arte com um sorriso estampado no rosto...Na oficina que ministramos de poesias desafiamos os participantes a criarem poemas em 20 minutos...como o tema era sonho no sentido de almejar...nossa foi linda a combinação de cores, cheiros e futuro nos textos...Nos ensaios eu e Valéria ficavamos pensando " mas a nossa parte é só poesia num precisamos ensaiar o dia todo"...engano nosso, ali era a matéria prima do nosso dever poético...e foi ali que nasceu esse poema...após passar pela Oficina de língua guarani com o Brô MC's - Dourados- Mato Grosso do Sul...E segue o poema...


Ore Kuera – Todos nós (guarani)
Somos fio da mesma trança
Trazemos amor e esperança
Estrelas do amanhã
Somos nos do mesmo bambu
Palha da mesma corda
Batucadeiros do mesmo show

Somos orquestra do mesmo palco
Queremos arte no nosso prato
Sopros dos mesmos passos
Materias da mesma rima
Somos djs da mesma festa
Personagens da mesma história


Continuando com Valéria Fagundes....
Quando essa noite acabar , o nosso show continua,
porque a nossa vida é arte e o nosso palco é a rua.
O rap volta pra casa , pra escola e pra favela,
e até na lingua tupi esse som se prolifera.
Desfilaram nesse mostra bambu, cavalo mari...nho,
Orquestra, rabeca e dança, malabares e passinho.
Nos chamam de alegristas , brincantes da juventude,
E a gente recria a arte fazendo que o mundo mude.
Quando essa luz se apagar, se acende a luz que há em nós,
e em cada canto do mundo vão ouvir a nossa voz.
No país, de canto a canto do Mato Grosso ao Sertão,
a gente segue viagem cumprindo nossa missão.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Participarei da 4ª Mostra Brasil - Juventude transformando com a arte



A MOSTRA

Em sua quarta edição, a Mostra Brasil Juventude Transformando com Arte reafirma o Rio de Janeiro como plataforma de encontro e pólo de divulgação de grupos artísticos envolvendo jovens, comprometidos com a transformação social. Mais uma vez o Teatro Carlos Gomes, no Centro do Rio de Janeiro, é o palco onde esses jovens mostram a diversidade e a qualidade de suas criações artísticas. Participam dos espetáculos 350 jovens, de 29 grupos de 20 cidades de todas as regiões do pais, numa multiplicidade de linguagens e expressões – música, dança, circo, poesia, coros, grafite e manifestações populares.
Esta edição traz como tema norteador Cultura para Sociedades Sustentáveis e Solidárias. Alinhada às preocupações com o modelo de desenvolvimento e sociedade que a cidade do Rio de Janeiro, como sede da Rio +20, debaterá durante a conferência, a Mostra Brasil foca nas contribuições que as culturas e ações culturais de juventudes em seus territórios trazem para esse debate.
A novidade na programação deste ano fica por conta da Ocupação Cultural JuventudeArte na Praça Tiradentes. Abrindo a programação no domingo, dia 20 de maio, este evento aberto ao público, vai reunir ao longo do dia atividades integradas com oficinas, feira de fazeres, palestras, rodas de conversa e performances artísticas, terminando com um grande baile a céu aberto conduzido pelo grupo Mandicuéra,  da Ilha dos Valadares (PR).
O espetáculo de estréia, na segunda-feira 21 de maio, traz a música de todos os cantos do país, com sua riquíssima diversidade de ritmos e sonoridades extraídos dos mais variados instrumentos. Algumas formações mais convencionais como orquestra de cordas e quarteto de saxofones ocupam o mesmo palco que marimba, vibrafone, alfaias, curimbós, maracas, sopros diversos e ainda percussão corporal num mosaico interativo entre os diversos grupos. Uma grande festa de sons!
No segundo dia, corpos e movimentos dialogam numa sequência de estilos e expressões que trazem a dança gerada não só em cidades do interior, como nos espaços urbanos e nas periferias.
Desde a sua primeira edição em 2006, a Mostra Brasil se encerra com a integração das diversas identidades brasileiras na construção de um diálogo entre as diferentes linguagens artísticas: circo, poesia, canto, música e dança atravessam o palco com harmonia e vibração.
Fonte: http://4mostrabrasil.blogspot.com.br/

sábado, 31 de março de 2012

Maputo- Moçambique


Que África é essa?
O mosaico esta sendo construído
Se antes a incerteza, agora tenho a incerteza e meia
É uma proximidade distante
É mar, é peixe, é sol...
O que quero parecer não é só as roupas coloridas
Os colares a adornar o corpo
Atravessei o oceano pelos ares
Para redescobrir uma parte de mim

Que África é essa?
Que me desmonta e remonta
Abrilhanta o meu sorriso e que faz escorrer águas...
Pinga meu suor e doura a minha pele
É sinceridade, poesia e sabedoria
Valores desvalorizados...
Crianças sendo expulsas do mercado
Propinas a passar de motoristas a policiais

Que África é essa?
Que diz e não me diz...
Sentimentos vulcões no peito...
Lágrimas tsunamis na alma
Até onde vai minha fronteira
E se tenho fronteiras, que fronteiras eu sou?

quarta-feira, 21 de março de 2012

POETIZAR A EXISTÊNCIA E O SER FEMININO

Por Renata Felinto
Fotos Cassimano e MANDELACREW
MARÇO/2012

QUATRO POETISAS DA POESIA PRETA PAULISTANA
As obras fundamentais de Carolina Maria de Jesus (1914 – 1977) e de Conceição Evaristo e, sem dúvida, de outras escritoras que estão criando Brasil afora como Dinha, Miriam Alves, Cristiane Sobral, Alzira Rufino, Elisa Lucinda, Geni Guimarães, Cidinha da Silva, entre outras, semearam frutos em terras paulistanas. A literatura pensada, imaginada e idealizada por mulheres afrodescendentes não é nascente: é viva, pulsante e crescente. Basta dar uma passada em qualquer dia da semana pelos vários saraus que vêm brotando cidade af(l)ora. Neles, temas como amor, relacionamento, sociedade, política, ancestralidade, memórias, existência, entre outros, demarcam as produções de mulheres pretas dos vários cantos de São Paulo. Mulheres que frutificam a criação, representam as personas de mães, companheiras, amantes profissionais, cidadãs e “escrevevivem”. Apresentamos aqui quatro delas: Elizandra Souza, Priscila Preta, Raquel Almeida e Tula Pilar.
Três paulistanas de nascimento e uma de coração que em suas produções têm como bases comuns a oralidade na qual avós, pais e outros parentes (re) contam e (re) criam suas próprias trajetórias, suas referências; a tradição dos cordéis que se relacionam com as questões de oralidade e identidade; a cultura hip hop e de periferia, juntamente com as trocas e descobertas feitas nos saraus que frequentam: e, o ser feminino, que dia a dia se aprende a ser, mulher negra, preta.

MandelaCrew

Elizandra Souza ou Mjiba, tem 28 anos é jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, desde 2010 e redatora da Agenda Cultural da Periferia (Ação Educativa). Ah, e retomando as leis que durante séculos tentaram restringir o acesso de negros e mestiços aos meios de ensino formais, Elizandra foi aluna cotista (PROUNI). Agora, só no século 21, é que as leis estão mudando e tentando minimizar o grande prejuízo sofrido pela população afrodescendente.
Sua família mudou-se de São Paulo para Nova Sorue (BA), quando Elizandra tinha dois anos. Cidade de origem de seus familiares, Nova Sorue exerceu grande influência estética na moça. Deste período, carrega belas memórias, e como a poesia do cotidiano corre pelo seu sangue, ela as intitulou de “Sorriso amargo e lágrima doce”, sintetizando os momentos de visita à casa dos avôs que moravam numa fazenda, e a vontade de se deliciar saboreando castanha de caju, maça e bolacha recheada, pequenos prazeres de criança. A literatura estava presente em sua família via os livretos de cordéis da coleção de sua Tia Zefinha que, vez ou outra, contava uma história para os sobrinhos.
O seu interesse pela literatura surgiu quando, ainda menina, se juntava à sua irmã para ler pequenos livros e histórias em quadrinhos, tentando, deste modo, se esquivar do trabalho doméstico. Foi na escola que tomou contato com a poesia de Castro Alves (1847 - 1871) e de outros poetas do período romântico.
De volta a São Paulo, em 1996, conheceu a cultura hip hop e, pouco tempo depois, passou a produzir o fanzine. Sua relação com a oralidade, com os cordéis, com a cultura hip hop e o fanzine, tudo isso junto e misturado, despertou em Elizandra o desejo de escrever poesias. Nesta época passou a adotar o codinome Mjiba, que significa “jovem mulher revolucionária” nomeando as mulheres que participaram da luta armada pela independência de Zimbábue. Conheceu, e se apaixonou pelo termo, após ler o livro “Zenzele – Uma carta para a minha filha” (1996) da escritora de Zimbabue, J. Nozipo Mairare.

As suas poesias versam sobre muitas temáticas como negritude, identidade, racismo, pois como disse Elizandra: “utilizo a minha escrita como luta política, como forma de conscientização”. Mas, considera que uma das “maiores lutas do século é o amor”. Tem pensando sobre as dificuldades para a concretização das relações de amor e de respeito mútuo entre homens e mulheres negras, mais que isso, na solidão que vive a mulher negra numa sociedade na qual homens brancos e negros desejam o amor advindo do padrão de beleza feminino cristalizado. Sobre as dores e prazeres de ser mulher, Elizandra se posiciona:


Sangre mais uma vez!/ Expila do seu corpo/ O embrião não fecundado/ Junte todo o amargor/ E sangre outra vez!/ É dolorido/, Mas sinta com intensidade essa cólica/ Esse mal estar/ Mas sangre mais uma vez!/ Sangre nessa hipócrita sociedade/ Junte todas as dores expelidas/ Retire da calcinha/ Esse absorvente enxarquecido/ E jogue fora todos esses sangrados/ Mas Menstrue e Ação! MenstruAção


Elizandra já teve seus poemas publicados em várias coletâneas e antologias, como dos Cadernos Negros e possui um livro escrito em parceria com o poeta Akins Kintê e editado pela Edições Toró, chamado Punga (2007), para quem se interessar por conhecer seu trabalho. Quem desejar conhecê-la ao vivo e a versos pode tentar encontrá-la no Sarau da Cooperifa, que ocorre todas as quartas no Bar do Zé Batidão, no Jardim Guarujá, zona sul de São Paulo.
Cassimano


A preocupação com a saúde emocional e amorosa da mulher negra em nossa sociedade machista, sexista e racista, também é uma das preocupações e temas da poeta Priscila Santos Martins, ou Priscila Preta. Com 27 anos de idade, a poeta, formada no curso de Comunicação das Artes do Corpo da PUC (SP) também é atriz e fundadora da Companhia de Arte Negra As Capulanas. O nome Priscila Preta apareceu nas escolas privadas nas quais estudou como forma de distingui-la da maioria de “Priscilas” brancas, uma vez que era, geralmente a única negra.
Conheceu a literatura escrita ainda criança, pois por obter boas notas era presenteada com livros. Entretanto, foi ao ter aulas com um professor de literatura que também era músico que despertou para a cena artística multimídia (artes cênicas, música e literatura), já que além da criação de textos, o professor promovia a encenação das histórias cunhadas por seus alunos. O que não faz um bom professor na vida das pessoas...


As impressões e vivências cotidianas são referenciais para a sua produção artística, como a prática de sua avó Maria que era benzedeira: “... tudo que ela fazia pra mim era muito mágico, eu observava a dança de suas mãos com a arruda molhada na água com sal, ela falava palavras que nunca consegui entender e depois batia a arruda nas mãos da pessoa... Eu via isso muitas vezes no mesmo dia, mas não me cansava de ver e de ser benzida também... E eu ficava ali me apaixonando cada minuto por ela”.


A poeta de aparência forte e corpulenta, que por vezes parece até estar pronta para a guerra, em verdade é puro coração. Apesar de em sua poesia trazer a tona vários temas, são as paixões do corpo que dominam a sua escrita atualmente: homem e mulher, sensualidade e erotismo.
Preto que boca é essa?/ Vem falar aqui nas minhas ruas/ Nuas escuras/ Deixa eu provar dessa boca berinjela/ Crua/ Carnuda/ Deixa eu me achar nesse céu molhado/ Deitar nesse travesseiro algodão doce/ Preto que boca é essa?/ Seca minha língua/ Ostra minha pérola/ Espera na esquina/ Corre pro ponto/ Chega/ A.C.O.N.C.H.E.GAAAA... Enú Yanjú


Priscila acredita que a poesia hoje é uma nova forma de (re) ver a vida, “Criar outros desenhos”. Ainda no início de sua carreira como poeta, ela acredita que a poesia possa se apresentar como uma forma de minimizar a depreciação histórica do corpo, psique e coração da mulher negra, tornando-a protagonista, ao menos de suas criações. “A mulher preta durante muito tempo foi privada de muitas coisas. A liberdade é vigiada por alisantes, posturas e estigmas. Somos consideradas fogosas e muitas vezes não temos a oportunidade de fazer amor, apenas se dar pro encontro, pra troca... A poesia é minha bomba, uma forma de explodir os grandes prédios culturais do racismo, do machismo, das relações de poder e construir ocas não ocas... Casas que tem tenham pessoas, trocas e principalmente circularidade”.
Cassimano


Com seus poemas publicados em antologias como a III Antologia do Sarau na Brasa (2011), que frequenta há algum tempo, também pode vista declamando nos saraus da Cooperifa, do Binho e Elo da Corrente. Prefere ser chamada de poeta, afinal, como disse: “A palavra já é feminina”.
E por falar no sarau Elo da Corrente, foi Raquel Almeida da Silva, de 24 anos, que o organizou, em 2007, juntamente com outros escritores. Formada, como ela mesma explica, pelas histórias de sua família, pelas músicas e leituras que faz, pelas relações de amizade e afeto que construiu, pelas pesquisas que realiza, Raquel Almeida, como é conhecida, assim como Elizandra, também teve na literatura de cordel uma de suas primeiras referências. O Almeida de seu sobrenome e que adotou como nome artístico é uma homenagem à sua avó após ter percebido o quanto ela valorizava o sobrenome que carregava.


No caso de Raquel, também aparece um tio conhecedor de literatura de cordel que juntava os sobrinhos para recitar e realizar performances e cantorias. Alias, a música também está muito presente em sua vida familiar. Ela se recorda também de que havia muita musicalidade em seu cotidiano: “... me lembro que em todas as atividades feitas em casa, comida, limpeza, construção da casa, meu pai em especifico, cantava musicas conhecidas e no meio disso inventava canções, minha família tem uma coisa curiosa em tudo que faz, faz cantando, é engraçado (risos)”. Quando pequena observava sua mãe escrevendo poesias de forma tímida e passou a escrever também, em um caderninho, porém, ainda como um exercício, sem se preocupar com o ato da criação, da temática.


A avó, o tio, o avô, a mãe. É evidente que a questão familiar é muito importante tanto na vida quanto no processo criativo de Raquel. Muitos familiares são citados e são referenciais quando ela fala tanto de suas influências quanto de suas memórias. A sensibilidade em adotar o sobrenome que sua avó tanto se orgulhava demonstra este vínculo ancestral, que tem também a função de localizar os indivíduos nesta contemporaneidade que tem privilegiado valores individualistas. As bases de Raquel são os que estão antes dela, os que lhes dão chão, seus antepassados.


Preciso beber da fonte ancestral/ Comer feijão com farinha/ Amassado entre os dedos/ Peixe com coco e dendê/ Preciso beber dessa fonte/ Tomar banho de manjericão/ Me encolher no seu colo/ Pedindo proteção/ Preciso me alimentar dessa fonte/ Ouvir suas historias/ Transmiti-las em sonho e orgulho/ Me embalar nas tuas lembranças/ Colher frutos futuros/ Preciso beber dessa fonte/ Fonte materna de inspiração/ Prudência/ Fazer reverencia/ És a ave que escuta os ancestrais e a descendência/ Preciso beber da tua fonte... Preciso beber da fonte ancestral

Dentre as leituras de sua formação estão livros de suspense, infantis, filosóficos, e, mais uma vez, a música em forma de poesia, nas letras de rap dos Racionais MCs, que os vizinhos ouviam em alto e bom som e que sei pai achava que era música de marginal, de bandido. Proibindo seus filhos de ouvirem. Depois leu o livro do Preto Ghóez “Sociedade do Código de Barras” (2006), outro mundo que se abriu: “...li e fiquei inquieta demais, inconformada, sei lá, acho que foi um estalo que me despertou pra varias coisas”.

Pensa na poesia como um instrumento de transformação com maior poder de abrangência do que as manifestações violentas, especialmente quando o assunto é a questão racial: “... vejo que muitos conflitos e preconceitos que eu passava na infância e na adolescência sobre a identidade racial, ainda são tão presentes e agressivos nos dias de hoje, mas falar em forma de gritos, esbravejando militância nem sempre atinge quem realmente queremos, a poesia tem sido um dos meios de transmitir isso, gritando ou não”.

Para Raquel apesar do potencial transformador da poesia, é muito importante que as pessoas passem a se informar, a ler mais e a conhecer a história do país, pois sem o autoconhecimento não haverá transformação, mudança. E essa ação deve começar com o espaço no qual vivemos.
Para conhecer Raquel basta ir ao sarau Elo da Corrente, em Pirituba, e no Poesia na Brasa, na Brasilândia. Ainda é possível tomar contato com seu trabalho por meio do livro Duas Gerações - Sobrevivendo no Gueto (2008), feito em parceria com a poeta Soninha M.A.Z.O, pelo selo Ela da Corrente Edições. A poeta, ou melhor, poetisa, prefere ser chamada desta forma porque, segundo ela, esta palavra “afirma uma escrita feminina”.
Cassimano

Dentro deste grupo de quatro poetas, ou poetisas, Tula Pilar Ferreira, nascida em Leopoldina (MG), é a mais experiente, portanto, com uma potência feminina muito latente. A sua maneira de se mover no mundo é lascivamente feminina. A primeira vez que a vi, em 2010, no Sarau do Binho, ela apresentava uma coreografia a partir da dança do ventre, inclusive, trajada a caráter. Foi impressionante observar como os sorrisos nervosos e as brincadeiras de alguns frequentadores eram mais um mecanismo para mascarar a libido despertada pela apresentação sensual. Sim, temos problema em falar sobre sexo e desejo de uma maneira natural. Mas, a mulher é poderosa!

Formada pela vida e participante de várias oficinas e cursos livres é conhecida em São Paulo por “Pilar”, nome pelo qual lhe tratava um ex-patrão de origem espanhola. Na infância, criada em casa de pessoas com alto poder aquisitivo, teve acesso a várias leituras próprias do universo da criança das fábulas e contos de fadas europeus às aventuras dos personagens infantis de Monteiro Lobato (1882 - 1948), com os quais ficava fascinada. Se lembra até de ter estudado um pouquinho de inglês nesta época: “Tinha uma moça americana que me ensinava tudo o que perguntava, guardo na memória até hoje”. Criação de moça grã-fina.

Começou a escrever, tanto influenciada pela miríade de livros aos quais tinha acesso quanto por seu próprio desejo pessoal. Entretanto, tem consciência de que as histórias que leu a inspiraram profundamente, apesar de muitas vezes não permitirem que ela mergulhasse nas águas da leitura: “... rasgavam tudo e me mandavam trabalhar, fazer algum serviço... Eu era a menina pobre que lia todos os dias enquanto limpava”. Foi a leitura do livro Negras Raízes (1976), de Alex Haley, que a direcionou para as temáticas relacionadas à sua origem afrodescendente e lhe trouxe sabor amargo para a vida, descobrir a maneira como os escravizados norte-americanos foram tratados foi um choque. Também se identificou com o livro A Cor Púrpura (1982), de Alice Walker: “... a história dela é parecida com a minha e de minhas irmãs”.


Pilar poderia ser uma pessoa amargurada pelos percalços da vida, entretanto, é das pessoas mais positivas que conheço. Suas poesias refletem esta maneira não vitimizada de ver o mundo e falam sobre o erotismo e sensualidade e também sobre família. Acredita que a poesia está aí para quem quiser, porém que poucos conseguem compreende-la e que, por vezes, apreciar poesia ou ser poeta, pode se tornar um motivo de chacotas tanto por parte de “ricos e pobres, negros e brancos, acadêmicos ou não”. Pilar é mãe, amante, mulher. Isso é o mais fascinante em Pilar, como poucas mulheres, pretas ou não, ela consegue ser tudo isso: a “Oxum-Vênus-Negra” nessa preta é forte! Mas, ela aconselha, ele educa e prepara para vida, como as coisas deveriam ser:


Ai moleque/ Ouça o que sua mãe diz/ Tome banho/ Limpe o ouvido e o nariz/ Agora não é hora de jogar essa bola/ Não enrola, vai pra escola./ Seja inteligente/ Não faça prova copiando cola/ Caminhando ou de lotação/ Vá pedindo informação/ Pra chegar ao curso (grátis/) Lá no Capão/ À tarde tem obrigação/ Cuidar do irmão... Trecho da poesia Se Liga Moleque


NOTAS DE RODAPÉ

As mulheres/ As meninas/ As moças/ As mães e as tias da periferia/ Querem homens profundamente/ Mais educados educadores/ Mais pensantes pensadores/ Mais elegantes não só reprodutores/ Mais generosos e não geniosos/ Mais humanos cidadãos/ Porque a história tem seu ciclos sim/ E tudo se renova de olhos atentos/ E principalmente as avós/ Querem homens que enterrem seus mortos.
FAZ MUITO TEMPO, poema presente no livro Negrices em Flor (Edições Toró, 2007), de autoria da poetisa Maria Tereza, paulistana da Nova Cachoeirinha falecida em janeiro de 2012 de uma doença pouco conhecida e, no mínimo, com nome curioso: Síndrome Poems.



ESCREVEVIVEM Conjugação do termo escrevivência, cunhado pela escritora Conceição Evaristo para sintetizar e amalgamar os sentidos sobre as noções de vivência, ancestralidade, negritude e feminilidade.


PARA LER
MULHERES PINTORAS: A CASA E O MUNDO
Editora Pinacoteca do Estado de São Paulo
2004


CLICK
quilombhoje.com.br


PARA ASSISTIR
Vídeo do programa “Entrelinhas”, da TV Cultura, no qual o poeta e educador Allan da Rosa apresenta a obra da escritora Conceição Evaristo
www.youtube.com


Renata Felinto é mestre em artes visuais pela UNESP, pesquisadora, artista plástica e educadora.


Fonte: http://omenelick2ato.com/poesia/poetizar-o-ser-feminino/http://omenelick2ato.com/poesia/poetizar-o-ser-feminino/

terça-feira, 20 de março de 2012

Dicas culturais de março da Agenda da Periferia em parceria com o Catraca Livre. Confira:

Entrevista com o graffiteiro Tota, homenageado da edição de 2012 do Dia do Graffite.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Que bloco é esse? Criolo e Ilê Aiyê





Queremos difundir e valorizar a verdadeira história do Carnaval baiano e da nossa cultura. Para mostrar essa energia, reunimos no projeto 'Que Bloco É Esse?' artistas do mundo pop com os tradicionais blocos afro da Bahia, em encontros entre 2 mundos.

O videoclipe da música Ilê Aiyê, que traz juntos pela primeira vez o rapper Criolo e o primeiro bloco afro da Bahia, é uma ode ao Ilê Aiyê, exaltando a Liberdade - bairro com a maior população negra do Brasil - e mostrando um cotidiano valorizado pela simplicidade, auto-estima e respeito.
Vem descobrir junto com a gente que bloco é esse!

Direção: Ricardo Spencer

Realização: New Content

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Emicida no Programa Agenda da Periferia na Rádio Heliopólis!

Uma das pessoas mais interessantes que já entrevistei. Agradecida a Rádio Heliopólis, Alexandre de Maio (Catraca Livre) e Nabor (O Menelick 2ºAto). Assistam ao video:

domingo, 15 de janeiro de 2012

Hoje eu assisti no Programa Esquentá com Regina Casé a denúncia mais contextualizada contra o genocídio da juventude negra!


Jovem negro e dançarino é assassinado e enterrado como indigente. Assistam a denúncia da apresentadora Regina Casé e uma música em homenagem ao dançarino.

http://esquenta.globo.com/videos/t/programa/v/gamba-e-a-turma-do-passinho-mostram-que-tem-talento/1769549/

sábado, 14 de janeiro de 2012

Dia 17 (terça-feira), das 16h às 17h - Programa Agenda da Periferia - Rádio Heliópolis convida Capulanas Cia de Arte Negra


Quatro mulheres negras, quatro histórias em ebulição, quatro corpos desenhando-se no mesmo palco: poesias, músicas, gestos, inquietações e danças. Esta é a Capulanas Cia de Arte Negra, grupo “paulistafricano” formada pelas atrizes Adriana Paixão, Débora Marçal, Flávia Rosa e Priscila Preta, que se trançaram em 2007, durante o curso de Comunicação das Artes do Corpo, na PUC/SP.
Saiba mais:
http://omenelicksegundoato.blogspot.com/2010/11/arte-hibrida-das-capulanas-cia-de-arte.html

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Lançamento dos Cadernos Negros 34, amanhã dia 17, na Feira Preta! Vamos?


Eu me sinto privilegiada de partilhar uma publicação com pessoas que são minhas mestres da vida e da literatura. Amigas e amigos dos capítulos da minha existência humana. Asé e vida longa a publicação! Cada edição é um desafio! Continue Quilombhoje re-existindo ou resistindo?
Autores e textos:

Ademiro Alves (Sacolinha) - Adversário Íntimo
Adilson Augusto - Na Ponta da Língua
Claudia Walleska - África-Brasil
Conceição Evaristo - Lumbiá /Ei, Ardoca
Cristiane Sobral - O Tapete Voador
Cuti - Que Horas São?
Débora Garcia - O Anjo
Denise Lima - Baobás
Elizandra Souza - Antes que as Águas da Cabaça Sequem
Esmeralda Ribeiro - A Moça
Fátima Trinchão - A Bênção, meu Pai
Fausto Antônio  - O Escuro das Palavras
Guellwaar Adún -A Solidão de Soledade
Henrique Cunha Jr. -Operação Limpa
Jairo Pinto -Armandinho, RG Desconhecido
Luís Carlos ‘Aseokaýnha’ - A Grama
Mel Adún - Menininha
Míghian Danae - Família
Miriam Alves - O Velório
Onildo Aguiar -Tambores do Filho do Homem
Thyko de Souza -Nasce uma Lenda
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Livro: Cadernos Negros volume 34 - contos afro-brasileiros; Preço: R$ 20,00. 21 autores.




QUANDO?


Dia 17 de dezembro de 2011, sábado, das 17h às 19h.

COMO?O lançamento neste ano ocorrerá dentro de outro evento, a Feira Preta, que completa dez anos de existência e é uma iniciativa que vem crescendo a cada ano.

POR QUÊ?Na Feira sempre houve espaço para os livros e para a literatura. Neste décimo ano de Feira o lançamento de Cadernos Negros vem somar com essa postura.

POSSO ADQUIRIR O LIVRO EM OUTRO MOMENTO?

O Quilombhoje estará com um estande nos dois dias de Feira (a lista só será válida no sábado). Após isso você poderá solicitar o livro pelo correio ou adquirir em lugares como o Museu Afro
ONDE VAI SER A FEIRA E O LANÇAMENTO?
Centro de Exposições Imigrantes - Metrô Jabaquara.
Maiores informações: (11) 7196-1500, a partir das 11h
Site da feira: http://www.feirapreta.com.br/

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Chegada

Se tu viesses ver-me nessa noite
Encontraria na porta, um sorriso encanto
Um abraço envolvente como manto
Remédio que afugenta o açoite

Se tu viesses em passos lentos
Entalhando meu rosto em um camafeu
Ouviria todos os conselhos dos ventos
Vagalumeando ou brincando com o breu


Se tu viesses do horizonte belo
Galopando e seguindo o curso do rio
Pontilhando nosso elo nos rastros das estrelas
Escutaria o caminho que tanto te assobio...

*Dedicado ao filho do sol, do rei,do horizonte,da lua, das estrelas...

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Elizandra Souza no Ensaio Poético!

Ensaio Poético é um programa onde alguns poetas da periferia conta um pouco a sua história e narra suas poesias.Como parte do projeto Correspondência Poética o programa se constitui em convidar um escritor para debater literatura e questões políticas da atualidade ao mesmo tempo que tentamos descorrer as motivações da caracterista da escrita de cada convidado para assim olhar a realidade através da poesia e a
literatura.

domingo, 27 de novembro de 2011

A DÚVIDA - Por Cidinha da Silva

Cada detalhe da sala de recepção repleta de cartazes é observada por Paula. Mensagens de cuidado com o amor-próprio, alertas sobre a violência contra mulheres e crianças, locais de denúncia e busca de apoio. Há também cartazes de seminários, imagens de mulheres felizes e sorridentes em situações de interação com outras.

Ela espera a vez de ser atendida e folheia as publicações dispersas pela mesinha. São pequenas e de rápida leitura: uma fala sobre prevenção do câncer de mama, outra do câncer de útero, outra sobre DSTS e AIDS. Esta mobiliza seu interesse. Ela lê com mais atenção. Vê que há vários exemplares. Antes mesmo de perguntar, a recepcionista responde que ela pode levar, se quiser. Ela agradece e coloca dois exemplares daquele sobre AIDS na bolsa. Continua folheando. Chegam duas outras mulheres. A funcionária explica que serão atendidas primeiro porque têm hora marcada. Paula veio sem aviso, será encaixada logo depois.

Ela sente um certo alívio,pois ainda não sabe como abordar o problema. Até hoje, só conversou sobre suas atividades profissionais no próprio ambiente de trabalho, com amigas e clientes. Nem considera o trabalho como profissão;afinal, não escolheu,foi jogada nele. Distraída, Paula nem percebe que chegou sua vez.

Ela entra na sala pintada de amarelo lindo. Fica encantada com as almofadas coloridas e a casinha com fogo onde borbulha uma água cheirosa,coisa que ela nunca vira antes. A psicóloga a recebe na porta, sorri afável, convida-a sentar-se. Ocupa outra cadeira, não há mesa separando as duas, como noutros consultórios. Começam a conversar. “Então, Paula, como vai? Em que podemos ajudá-la? Daqui a pouco eu vou pedir para você preencher um formulário de cadastro,tudo bem?” “Não,senhora. Quer dizer, eu sei ler um pouco, mas não sei escrever.” “Foi bom você ter avisado. Não tem problema,eu te ajudo. Mas o que te traz aqui?”

“Bem,doutora...” “ Por favor, não me chame de doutora, meu nome é Jucinete, já lhe disse.Pode me chamar de Ju, se quiser”.” Bem, doutora Jucinete,quer dizer Jucinete, eu sou puta, sabe!?Foi uma colega que me disse que vocês atendiam mulheres aqui, então eu fiz o último programa, tomei banho e vim.” “Sim, fique à vontade, continue.Depois te explico como trabalhamos.””Eu sei mais ou menos. Minha colega disse que vocês fazem exames, dão orientação,camisinha. Eu vim mesmo para tirar uma dúvida.” “ Estou aqui para ajudá-la,Paula, pode falar.” “É o seguinte, eu sou puta, já falei para a senhora...””Sim, você já disse e sabe que conosco não existe problema por isso, certo?” “Sei sim, senhora.” “Então, fale!” “É que, na rua onde eu trabalho, nós somos seis mulheres. Cada uma faz dez programas por noite, é a exigência do cafetão. Às vezes faz onze, doze, quando o movimento tá bom, em dia de pagamento, pra tirar um extra também, sabe? Do mesmo jeito eu motorista de táxi alugado”, sorri. “ O problema é que as brancas fazem dez programas por noite e, às pretas, o cafetão obriga a fazer quinze. E, quando a gente reclama, eu e a outra colega preta, ele ameaça bater e diz que é assim porque preta agüenta mais.”.

“Eu não agüento, não senhora. Nem a minha colega, mas ela tem vergonha de vir aqui perguntar. Eu vim saber para nós duas, se eu e ela estamos doentes, porque preguiçosa a gente não é. Mulher preta precisa agüentar mais, mesmo?”

*Texto publicado no livro Oh, Margem! Reiventa os Rios!, de Cidinha da Silva. Selo Povo, 2011.
Esse livro pode ser encontrado na Loja 1 da Sul na Galeria 24 de Maio e também na Livraria Suburbano Convicto no Bexiga. Valor R$6,00 a R$10,00.
Saiba mais sobre a autora: http://cidinhadasilva.blogspot.com/

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Oração Madre Nossa, de Pauline Chiziane

MADRE NOSSA


Madre nossa que estais no céu,santificado seja o vosso nome. Venha a nós o vosso reino – das mulheres,claro, - venha a nós a tua benevolência,não queremos mais a violência.Sejam ouvidos os nossos apelos, assim na terra como no céu. A paz nossa de cada dia nos daí hoje e perdoai as nossas ofensas – fofocas,má-língua,bisbilhotices, vaidade,inveja – assim como nós perdoamos a tirania, a traição, imoralidades, bebedeiras,insultos,dos nossos maridos,amantes, namorados, companheiros e outras relações que nem sei nomer. Não nos deixeis cair na tentação de imitar as loucuras deles – beber, maltratar,roubar,expulsar,casar e divorciar,violar,escravizar,comprar, usar, abusar e nem nos deixes morrer nas mãos desses tiranos –mas livrai-nos do mal. Amén.

Prece escrita por Rami, personagem do livro Nicketche – uma história de poligamia, de Pauline Chiziane (escritora moçambicana).

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

O que você quer saber de verdade, de Marisa Monte!



O Que Você Quer Saber de Verdade - Arnaldo Antunes



Vai sem direção

Vai ser livre

A tristeza não

Não resiste

Jogue seus cabelos no vento

Não olhe pra trás

Ouça o barulhinho que o tempo

No seu peito faz

Faça sua dor dançar

Atenção para escutar

Esse movimento que traz paz

Cada folha que cair

Cada nuvem que passar

Deixa a terra respirar

Pelas portas e janelas das casas

Atenção para escutar

O que você quer saber de verdade

domingo, 30 de outubro de 2011

O menino que carregava água na peneira (Manoel de Barros)



Tenho um livro sobre águas e meninos.

Gostei mais de um menino

que carregava água na peneira.



A mãe disse que carregar água na peneira

era o mesmo que roubar um vento e sair

correndo com ele para mostrar aos irmãos.



A mãe disse que era o mesmo que

catar espinhos na água

O mesmo que criar peixes no bolso.



O menino era ligado em despropósitos.

Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos.



A mãe reparou que o menino

gostava mais do vazio

do que do cheio.

Falava que os vazios são maiores

e até infinitos.



Com o tempo aquele menino

que era cismado e esquisito

porque gostava de carregar água na peneira



Com o tempo descobriu que escrever seria

o mesmo que carregar água na peneira.



No escrever o menino viu

que era capaz de ser

noviça, monge ou mendigo

ao mesmo tempo.



O menino aprendeu a usar as palavras.

Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.

E começou a fazer peraltagens.



Foi capaz de interromper o vôo de um pássaro

botando ponto final na frase.



Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.



O menino fazia prodígios.

Até fez uma pedra dar flor!

A mãe reparava o menino com ternura.



A mãe falou:

Meu filho você vai ser poeta.

Você vai carregar água na peneira a vida toda.

Você vai encher os

vazios com as suas

peraltagens

e algumas pessoas

vão te amar por seus

despropósitos

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Programa Espelho: Entrevista da Claudete Alves e leitura do meu poema Abelha Mandaçaia por Lazáro Ramos!






Essa entrevista é uma ótima reflexão sobre a pesquisa da dissertação de mestrado da Claudete Alves, sobre a solidão da mulher negra.
Asé. Valeu Claudete Alves e Lazáro Ramos.
Elizandra Souza

VMB2011 entrou para a história do Rap Nacional. Parabéns Criolo e Emicida!



Me senti contemplada! Asé!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Em legitíma defesa - De Elizandra Souza


Só estou avisando, vai mudar o placar....

Já estou vendo nos varais os testículos dos homens,

que não sabem se comportarem

Lembra da Cabeleireira que mataram, outro dia,

... E as pilhas de denuncias não atendidas?

Que a notícia virou novela e impunidade

É mulher morta nos quatro cantos da cidade...



Só estou avisando, vai mudar o placar...

A manchete de amanhã terá uma mulher,

de cabeça erguida, dizendo:

- Matei! E não me arrependo!

Quando o apresentador questiona – lá

ela simplesmente retocará a maquiagem.

Não quer esta feia quando a câmera retornar

e focar em seus olhos, em seus lábios...



Só estou avisando, vai mudar o placar...

Se a justiça é cega, o rasgo na retina pode ser acidental

Afinal, jogar um carro na represa deve ser normal...

Jogar a carne para os cachorros procedimento casual...



Só estou avisando, vai mudar o placar...

Dizem, que mulher sabe vingar

Talvez ela não mate com as mãos, mas mande trucidar..

Talvez ela não atire, mas sabe como envenenar...

Talvez ela não arranque os olhos, mas sabe como cegar...



Só estou avisando, vai mudar o placar...

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Flávio Renegado disponibiliza seu novo álbum " Minha tribo é o mundo" para download gratuito!

Escute Aqui


Flávio Renegado, artista mineiro nascido e criado na favela Alto Vera Cruz, na cidade de Belo Horizonte.
Autodidata, o músico começou a cantar aos 13 anos, ao mesmo tempo em que deu início à sua atuação em movimentos sociais. Em 1997, foi um dos fundadores do grupo de rap NUC (Negros da Unidade Consciente), com o qual se apresentou por todo o Brasil e em países da América do Sul, África e Cuba.
Posteriormente, o NUC tornou-se uma ONG, presidida por Flávio, que desenvolve trabalhos sócio- culturais junto a jovens de comunidades carentes com o foco principal nos jovens do Alto Vera Cruz.
A partir de 2006, passou a se dedicar à carreira solo e desde então vem acumulando uma bagagem de shows e participações em apresentações de outros artistas. Em sua carreira solo, Flávio Renegado investe na incorporação de outras referências musicais como reggae, maracatu, música cubana, samba além de outras influências da cultura típica brasileira e de tradições regionais, sem, no entanto, abandonar características do tradicional rap norte-americano e o apelo social do rap brasileiro.

Release do músico

Desde sua estreia, em 2008, Flávio Renegado parecia prever que suas músicas percorreriam o mundo. Intitulado “Do Oiapoque a Nova York”, o CD foi lançado de forma independente, vendeu mais de 7 mil cópias e o levou a turnês por Cuba, França, Inglaterra, Espanha e Austrália, além de percorrer dezenas de cidades brasileiras. Esse processo foi crucial para o desenvolvimento de seu novo trabalho, “Minha tribo é o mundo”, cujo lançamento aconteceu no dia 13 de outubro. Produzido por Plínio Profeta - que já trabalho com Lenine, Tiê e O Rappa - e gravado no Rio de Janeiro, o CD apresenta uma sonoridade mais urbana e influenciada pela multiplicidade dos movimentos sonoros contemporâneos.
Sem se prender a limites geográficos, sua música dialoga com batidas africanas, ritmos caribenhos, texturas do hip hop norte-americano, a energia da música eletrônica e a malandragem do samba. Uma prévia dessa diversidade pôde ser conferida na faixa-título, primeira música de trabalho do CD, disponibilizada para download gratuito na página do artista no Facebook (facebook.com/flaviorenegado) junto de seu videoclipe, feito pela equipe do Natura Musical. Com participações de artistas como Donatinho e Edu Krieger, o novo CD tem seu show de estreia marcado para dia 29 de outubro, sábado, no Music Hall, em Belo Horizonte, cidade natal de Flávio.
Enquanto a música transforma a vida de Flávio Renegado e o leva a circular por todo o Brasil e no exterior, também altera aqueles que são tocados por ela, restando a certeza de que gostando ou não, ninguém ficará indiferente às suas obras. Não por acaso, nos últimos anos Renegado esteve ao lado de alguns dos mais originais artistas da cena musical brasileira, do virtuosístico guitarrista Toninho Horta ao astro da MPB Lenine, assim como aclamados novos nomes da música brasileira como a cantora Aline Calixto e o vanguardista Fernando Catatau, do Cidadão Instigado.
Se a diversidade de parceiros aponta a inquietação de Flávio Renegado, sua extensa produção por outras áreas confirma sua vocação artística. Rapper, compositor, instrumentista, poeta, ator e líder comunitário, Flávio Renegado partiu dos estreitos becos do Alto Vera Cruz (comunidade carente da cidade de BH) para tomar o mundo de assalto com seu trabalho que tira o hip hop do gueto e abraça as mais diversas influências. Ciente de sua capacidade de criação e movimentação por diferentes manifestações artísticas, ele parece ter noção de não pertencer a nenhum gênero específico, nenhuma classe artística definida, nenhuma região. Ao mesmo tempo, absorve todas elas. Um paradigma que explicita no título do novo CD e que deixa no ar as possibilidades que estão por vir ao dizer que “Minha tribo é o mundo”.

Saiba mais:
http://minhatribo.flaviorenegado.com.br/
http://download.flaviorenegado.com.br/

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

COOPERIFA FESTEJA 10 ANOS DE ATUAÇÃO NA PERIFERIA

Mostra Cultural é marcada por dez dias de atividades em 13 espaços culturais


Para comemorar uma década de intervenções culturais, a Cooperifa (Cooperativa Cultural da Periferia) realizará, na zona sul da capital paulista, a 4ª Mostra Cultural entre os dias 14 a 23 de outubro em diversos locais como escolas, CEUs, casa de cultura e no bar do Zé Batidão, sede do Sarau da Cooperifa desde 2003.

O Sarau da Cooperifa é movimento literário idealizado pelos poetas Sérgio Vaz e Marco Pezão, em outubro de 2001, dentro de um bar, em Taboão da Serra. O projetoteve êxito e hoje eles convidam poetas, músicos, atores, dançarinos, cineastas para brindar nessa festa com uma vasta programação que inclui debates, shows, feira literária, espetáculos e distribuição de três mil livros infantis na comunidade. Todas as atividades são gratuitas.

Tais manifestações foram a forma encontrada por esse coletivo para valorizar a literatura e incentivar a leitura na periferia vem agregada de criatividade com projetos inovadores como o próprio sarau dentro de um bar, o Prêmio Cooperifa, a Semana de Arte Moderna da Periferia, Poesia no Ar, Chuva de livros, Cinema na laje, Ajoelhaço, Sarau da Cooperifa nas escolas, e essa mostra cultural que está na quarta edição no qual reúne todos que buscam uma transformação da periferia.

No entanto, como frisam os organizadores, nada disso seria possível sem a adesão da comunidade, das escolas e dos moradores oriundos das diversas periferias que se deslocam de diferentes regiões da cidade para prestigiar essa realização.

A mostra

A abertura acontecerá no próximo dia 14, às 19h30, no CEU Casa Blanca e será marcada com um panorama dos 10 anos de intervenções culturais.

No decorrer dos dias, a programação reunirá a literatura de poetas e escritores que freqüentamo sarau;a dança grupos como Balé Capão Cidadão, Espírito de Zumbi, Umoja, entre outros; a música, os convidados Preto Soul, Veja Luz, Versão Popular, 4 Vozes, Teatro Mágico, Z’África Brasil, Criolo e GOG e no teatro Cia Sansacroma, Capulanas Cia de Arte Negra e Grupo Clariô.

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Serviço

Dias 14 a 23 de outubro de 2011. Atividades são gratuitas.Informações: (11) 9342-8687\9391-3503\6599-5499. cooperifa@gmail.com.

www.colecionadordepedras1.blogspot.com

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PROGRAMAÇÃO - IV MOSTRA CULTURAL COOPERIFA

Dias 14 a 23 de outubro de 2011

1º dia - 14 (sexta- feira), 19h30

Abertura – Um panorama dos 10 anos de atividades culturais da Cooperifa na periferia de São Paulo com espetáculos de poesia, música e dança.

CEU Casa Blanca - Rua João Damasceno, 85. Vila das belezas._________________________________________________________________

2º dia - 15 (sábado), a partir das 11h

11h Feira livre de livros- Autores da periferia são convidados a exporem seus livros e haverá também exposições de artes plásticas.

16h Debate - A escrita e a militância cultural das mulheres- com Erica Peçanha, Lu Sousa, Silvana Martins e Jéssica Balbino.

20h - Sarau da Cooperifa e convidados

Casa de Cultural M´boi Mirim- Av. Inácio dias da silva, s/n º - Piraporinha. _________________________________________________________________

3º dia -16 (domingo), a partir das 11h

11h - Festa das crianças -Atividades recreativas, distribuição de livros infantis eshows com os convidados: QI Alforria,D´Quintal, Trio Porão, Poesia Samba Soul e Banda Veja Luz.

EMEFMauroFaccio Gonçalves Zacarias - Av. Raquel Alves Moreira, 823.Parque Santo Antônio.

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4º dia - 17 (segunda-feira), a partir das 18h

18h - Debate - Giros e geras do verbo: literatura afro-brasileira e das beiradas – com Allan da Rosa, Elizandra Souza, Luan Luando e Mario Augusto Medeiros. 20h - Grupo de teatro Clariô – Espetáculo: Urubu come carniça e vôa!Do nordeste para Taboão da Serra, o Clariô conta a vida e obra do poeta negro pernambucano Miró de Muribeca.

CEU Casa Blanca - Rua João Damasceno, 85. Vila das belezas.

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20h - Fernandinho Beat Box – o músico realiza um show com diversos ritmos, utilizando a boca como instrumento percussivo, conhecido na Cultura Hip Hop, como beat box.

EMEF Oliveira Viana- Rua Profº. Barroso do Amaral, 694. Jardim Ângela - Jardim Planalto.

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14h - Cinema na laje especial- Com os filmes: 5 x favela -Agora por nós mesmos- De Cacá Diegues e Bróder, de Jeferson De.

E.E. Professor Herculano de Freitas . Av. Olivier Bachelin, 07 - Alto Riviera. _________________________________________________________________

5º dia – 18 (terça-feira), a partir das 10h30

10h30 e 14h - Balé Capão Cidadão- Apresentação dos alunos das oficinas de balé da ONGCapão Cidadão. CEUCapão Redondo - Rua Daniel Gran, s/n. Jardim Modelo.

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18h - Debate - Militância cultural: como a cultura pode influenciar no cotidiano da periferia -ComEuller Alves, Marcio Batista , Juninho Círculo Palmarino e Fernando Sarau Vila Fundão.

20h – Show do Teatro mágico - A trupe do teatro mágico desembarca na mostra cultural para um show especial.

CEU Casa Blanca - Rua João Damasceno, 85. Vila das belezas.

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20h - Cia Sansacroma – Espetáculo: A máquina de fazer falar–Conta a rotina do departamento político de Auschwitz, que servia de intermediário entre Berlim e o campo para efeitos da solução final.

E.E. Octalles Marcondes Ferreira - Rua Dança de Anitra, 1 - Parque Claudia.


6º dia – 19 (quarta-feira), a partir das 20h.

20h - Aniversário 10 anos - Sarau da Cooperifa- Lançamento do livro 100 mágoas de Rodrigo Ciríaco. Bar do Zé Batidão - Rua Bartolomeu dos Santos, 797. Jardim Guarujá.

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7º dia – 20 (quinta-feira), a partir das 14h.

14h - Orquestra Toca, Zezinho!Este projeto mostra a importância que ultrapassa a associação de sons e palavras. CEU Casa Blanca - Rua João Damasceno, 85. Vila das belezas.

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19h - Brau Mendonça - Músico e instrumentista. 20h - 4 vozes - Quarteto de instrumentistas de música popular brasileira, formado por Dora, Jurema , Jussara e Thatiana.

CEU Canto do Amanhecer - Av. Cantos do amanhecer, s/n.JardimMitsutani - Campo Limpo.

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20h – Capulanas Cia de Arte Negra.Espetáculo: Solano Trindade e suas negras poesias. Retrata a força da mulher negra por meio das poesias de Solano Trindade, Elizandra Souza e Capulanas. E busca a ancestralidade nas manifestações populares de matriz afro brasileira.

E.E Músico Wander Taffo - Parque Claudia II - R. Mangualde, 427 - Jardim Antonieta.

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20h - Espírito de Zumbi – Espetáculo: Cor Raça Uma passagem pela história do brasil colonial passeando pelos dos ritmos e danças da cultura afro-popular brasileira. EMEF Pracinhas da Feb - Rua antonio raposo barreto, 151. Jd. Das flores.____________________________________________

8º dia – 21(sexta-feira), a partir das 13h30.

13h30 - Teatro de Bonecos – Espetáculo: Cocos e mitos uma aventura no universo das lendas.

EMEI Clarice Lispector -Rua Com. Miguel Maluhy, 159. Jardim Guarujá ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------

20h – Trupe Lona Preta. Espetáculo: Soltando o verbo. O grupo apresenta ao público o processo de formação da língua e suas transformações ao longo dos séculos num espetáculo cheio de humor. EMEF Anna Silveira Pedreira - Rua José Manoel Camisa Nova, 550. Jardim São Luis.

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9º dia – 22 (sábado), a partir das 17h.

Apresentações musicais com: B. Valente, Zinho Trindade, Z’África Brasil e A Família. Casa de Cultural M´boi Mirim- Av. Inácio dias da silva, s/n º - Piraporinha.

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10º dia – 23 (domingo), a partir das 17h.

Apresentações musicais com: Umoja, Preto Soul, Criolo, Versão Popular e GOG.

Casa de Cultural M´boi Mirim- Av. Inácio dias da silva, s/n º - Piraporinha. _______________________________________________________________

Realização:Cooperifa. Apoio cultural: SescSP, Itaú Cultural, Centro Cultural da Espanha –SP e Editora Trip.Informações: (11) 9342-8687\9391-3503\6599-5499.

E-mail:cooperifa@gmail.com. www.colecionadordepedras1.blogspot.com

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Amanhã (24/09), 21h - 3ª edição do Projeto Carolineando - Olhares e Leituras de Carolina Maria de Jesus, na Serralheria Cultural - Lapa

CAROLINEANDO – OLHARES E LEITURAS DE CAROLINA MARIA DE JESUS


Projeto apoiado pelo VAI. Pretende aproximar o público da vida e da obra de Carolina Maria de Jesus por meio da exposição fotográfica Carolinas de Diego Balbino que registrou catadoras de papelão pela Cidade de SP, e ficará exposta dos dias 01 a 30 de setembro. E no dia 24 (sábado), 21h, haverá um bate-papo sobre a vida da escritora com as jornalistas Paola Prandini e Cinthia Gomes. Apresentação do sarau literário com Elizandra Souza e com o convidado Allan da Rosa (escritor) e Manoel Trindade (percussão). Realização: Afroeducação.

Dias 01 a 30 - Carolinas – exposição fotográfica de Diego Balbino.

Dia 24 (sábado), 21h.Espaço Serralheria – Rua Guaiacurus, 857. Lapa. Entrada franca. (11)8163- 4687/ cinthia.afroeducacao@gmail.com

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Flávio Renegado lança novo clipe " Minha Tribo é o Mundo"


É um prazer divulgar um trabalho de um amigo muito querido, Flávio Renegado, hoje foi o lançamento oficial do single e do clipe " Minha Tribo é mundo", video gravado no Alto do Vera Cruz, bairro periférico da capital mineira, no qual nasceu o músico. Flávio Renegado é MC/cantor/compositor seu primeiro trabalho solo "Do Oiapoque a Nova York", escreveu composições de samba como a letra "Faz o seguinte" interpretada pela sambista Aline Calixto.Como o título do single já diz "Minha tribo é o mundo" o rapper tem apresentado seu trabalho em algumas cidades brasileiras e em diversos países como Cuba, França,  entre outros.
Conheça mais: http://www.facebook.com/flaviorenegado

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Mina Penda - Bukassa Kabengele - Booka Mutoto



Eu te Amo África - Mina Penda África! (Swahili)

Coroa imperial



...Inspirado Salamanda Gonçalves



Meu cabelo tem cheiro de flor...

Seja gardênia, violeta, rosas vermelhas

Livre! Ele exala e transmite amor

Embaralhado, embaraçando o mundo



Meu cabelo tem cheiro de flor...

Canela, açúcar mascavo e cravo

Mil cheiros, mil flores...

Perfumes de luta, espinhos da resistência



Meu cabelo tem cheiro de flor...

Amarílis - orgulho-, brinco-de-princesa

Mensageiro, como flor-de-lis

Vida - dente-de-leão, felicidade- flores do campo



Meu cabelo tem cheiro de flor...

Insistente como cacto flor no deserto

Tulipa vermelha, encanto de girassol

Coroa imperial transborda poder!

domingo, 28 de agosto de 2011

Península Grajaú, hoje esta em festa!! Pagode da 27 completa 6 anos e Coletivo Imargem promove o Mutirão Cultural! Vamos chegar!

Hoje dia 28 de agosto de 2011, é um dia para ficar registrado na história do Grajaú. Como nessa imagem, os moradores tem caminhado cada vez mais com passos firmes...Parabéns, Pagode da 27 por mais um ano de atividades e de melhorias na vida cultural e social da nossa região. Vida longa ao Projeto! Quem quiser chegar, a festa começa a partir das 14h. Rua Manoel Guilherme dos Reis, s/n.Grajaú. Zona Sul.


E hoje também....
NO PARQUE DOS LAGOS: Mutirão Cultural Imargem no parque linear


Neste domingo, 28, à beira da represa Billings tem muita atividade cultural pra comunidade do Parque Residencial dos Lagos, no Grajaú, Zona Sul de São Paulo.


Organizado pelo Coletivo Imargem, o Multirão Cultural começa às 9h e vai até as 17h
Vamos iniciar logo pela manhã que é para aproveitar o dia…

Confira a programação:

9h No Local da Pista de Skate do Lago Azul – Multirão de Limpeza e Intervenção Artistica com o Lixo recolhido;

10h às 11h30 - Projeto Café com Bolachas – Dj Ferruge;

11h30 – 12hs - Pausa para Alimentação Saudavel e troca de Dj’s, Dj Rose – Xemalami assume as pickup’s;

12h – Arte in Rima ;

12h30 – Rastabelecido em Eu;

13h30 – Discotecagem e Roda de Break;

14h00 – Xemalami;

14h30 – Pirata MC & DJ Itamar;

15h30 – Microfone Aberto e Free Style

16h – Teatro do Grupo Identidade Oculta e Cortejo até o “Sarau Nosso” no CEU Navegantes – Cantinho do Céu

17h – “Sarau Nosso” no CEU Navegantes – Cantinho do Céu.

Local: Rua Cisne Azul, sem número – Parque Residencial dos Lagos

Guia para jornalistas sobre gênero, raça e etnia

Ganhe um brinde:


O Guia para jornalistas sobre gênero, raça e etnia pertence à agenda de trabalho articulada entre a FENAJ – Federação Nacional dos Jornalistas e a ONU Mulheres – Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres a partir do Memorando de Entendimento assinado em agosto de 2010. A primeira atividade é a criação de um curso para a formação de jornalistas e estudantes de Jornalismo na temática de gênero, raça e etnia nos estados de Alagoas, Amazonas, Ceará, Pará, Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

A publicação é uma ferramenta do plano pedagógico do curso de formação de jornalistas na temática de gênero, raça e etnia. Tem o propósito de auxiliar jornalistas (que desempenham as funções de produção, reportagem, redação, edição e direção de redação) e estudantes de Jornalismo na tarefa de cobrir os temas com recorte de gênero, raça e etnia no dia a dia da imprensa.

A reprodução do guia é autorizada, desde que seja mencionada a fonte.

Faça aqui o download do “Guia para jornalistas sobre gênero, raça e etnia”

Amanhã começa em SP, o Curso de Gênero,Raça e Etnia para jornalistas...Leia um artigo falando sobre essas temáticas!



Jornalismo, Gênero e Igualdade Racial

Imprensa Negra


A luta pela inserção da temática negra na agenda da imprensa brasileira vem desde o século XIX através da atuação da imprensa negra (tais como os jornais “O Homem de Cor”, “O Menelik”, “O Clarim da Alvorada”, “A Tribuna Negra”, dentre outros). E pode ser dividida em várias etapas conforme seu período histórico.
O Curso de Gênero, Raça e Etnia para Jornalistas utiliza como referência nesta breve retrospectiva a produção da imprensa negra de ativistas negros e negras no campo da mídia a partir da década de 1970, período de reorganização do movimento negro e da participação deste no processo de redemocratização do país.
As décadas de 1980 e 1990, por exemplo, foram etapas de intensa movimentação social do segmento negro brasileiro, incluindo a movimentação das mulheres negras, onde a estratégia política teve como foco o combate ao mito da democracia racial.

As duas décadas também marcaram a fase de profissionalização dos jornalistas negros/as e do início da busca por qualificação acadêmica nos cursos de mestrado e doutorado. Nos anos 1980, em especial, destacamos a produção do jornal “Maioria Falante”. No início da década de 1990, surgiram as primeiras mídias negras na internet com a “Revista Afirma On Line”, o Jornal “Ìrohìn” e a “Agência de Notícias Afropress”.
Também nesta década surgiram as revistas “Black People”, “Azzeviche” e “A Cor do Ébano”. Em 1996, foi publicada a primeira edição da “Raça Brasil”, revista veiculada pela editora Símbolo.

Advocacy – Mulheres Negras

Na década de 1990 as mulheres negras começaram a se destacar nas estratégias para inserção da temática negra na mídia. Chamamos a atenção para a ONG Geledés – Instituto da Mulher Negra, que utilizou como estratégia de comunicação a inserção da mulher negra e do homem negro na mídia e, entre outras ações, formulou uma agenda de intervenções sobre a questão das mulheres negras, além de criar um curso de capacitação de mulheres negras para relacionamento com a mídia.

Em 1994, através do programa SOS Racismo, o Geledés enviou uma notificação judicial à TV Globo por ter considerada ofensiva a caracterização de um personagem em condição de submissão – um jardineiro negro protagonizado pelo ator Alexandre Moreno – insultado pejorativamente pelo patrão branco, interpretado por Tarcísio Meira. Após a denúncia, a TV Globo foi obrigada a apresentar desculpas formais.

Alguns anos depois (1988), depois de realizar o Seminário Nacional de Mulheres e Comunicação e o Seminário Nacional de Mulheres Negras e Advocacy, o Geledés ofereceu o Curso de Capacitação em Comunicação e Advocay e Novas Tecnologias para Mulheres Negras para capacitar lideranças do movimento de mulheres negras.

Embora as populações negra e indígena tenham um histórico comum de discriminação e exclusão etnicorraciais na mídia, destacamos a luta pela inserção da temática negra por entendermos que o movimento negro, por razões históricas, e durante um longo período, foi sozinho o principal ator social na denúncia da exclusão racial e das desigualdades raciais no Brasil e, por conta disso, exibe maior acúmulo em algumas ações estratégicas para a promoção de mudanças.

Outra organização negra que também realizou ações contra a veiculação de estereótipos na mídia foi a Casa de Cultura da Mulher Negra. Em 2006, a ONG localizada em Santos (SP) liderou protestos contra a minissérie JK – sobre a trajetória do presidente Juscelino Kubistchek, por veicular imagens qualificadas por estupro e humilhação de mulheres negras e cujas personagens eram interpretadas pelas atrizes Roberta Rodrigues e Ana Carbatti.

Mulheres Negras e a Conferência de Beijing

Em 1995, a participação e mobilização das mulheres negras no campo das articulações nacionais e internacionais ganharam notável destaque durante a IV Conferência Mundial das Nações Unidas sobre a Mulher, também conhecida como Conferência de Beijing, ocorrida na China. Além disso, Beijing representou uma etapa importante no processo de articulação das mulheres indígenas.


Marcha Zumbi dos Palmares

Também em 1995 ocorreu a histórica Marcha Zumbi dos Palmares, em homenagem aos 300 anos da sua morte. A Marcha reuniu cerca de 30 mil pessoas em Brasília. Na ocasião, os organizadores e organizadoras entregaram um documento ao então presidente Fernando Henrique Cardoso. No mesmo dia, o presidente assinou um decreto criando o Grupo de Trabalho Interministerial (GTI), responsável pela futura implementação de programas específicos para a correção das desigualdades que afetam a população negra no país.

Conferência de Durban
Em 2001, as mulheres negras consolidaram seu protagonismo na Conferência Mundial contra o Racismo e a Discriminação Racial, organizada pelas Nações Unidas, na cidade de Durban, África do Sul. Tomando como exemplo o movimento negro e o movimento de mulheres negras no Brasil, a Conferência de Durban operou uma mobilização significativa. Esses dois segmentos negros foram agentes coletivos de uma ação discursiva na esfera pública.
O processo preparatório de Durban, os debates e articulações durante o encontro contribuíram para o fortalecimento das alianças entre o movimento negro e o movimento indígena. A mídia indígena, por sua vez, motivada pelo aumento – ainda que irregular – da participação indígena na Internet, passou a fazer uso das novas tecnologias de informação e comunicação, sobretudo as digitais, como meio para divulgar suas demandas, embora haja registros sobre a atuação da imprensa indígena muito antes desses processos.
Durban estabeleceu um novo marco internacional no combate ao racismo na mídia. O documento final reconheceu que os meios de comunicação devem representar a diversidade de uma sociedade multicultural e desempenhar um papel na luta contra o racismo. Também solicitou aos Estados membros que incentivassem os meios de comunicação a evitarem estereótipos baseados no racismo, discriminação racial, xenofobia e intolerância correlata. Entre outras ações na comunicação e mídia, o documento final instou os Estados, e incentivou o setor privado, a adotarem um código de conduta ética voluntário, políticas e práticas que visem a:

(a) Combater o racismo, a discriminação racial, a xenofobia e a intolerância correlata;

(b) Promover a representação justa, equilibrada e eqüitativa da diversidade de suas sociedades, bem como assegurar que esta diversidade seja refletida entre sua equipe de pessoal;

(c) Combater a proliferação de idéias de superioridade racial, justificação de ódio racial e de qualquer tipo de discriminação;

(d) Promover o respeito, a tolerância e o entendimento entre todos os indivíduos, povos, nações e civilizações através, por exemplo, da assistência em campanhas de sensibilização da opinião pública;

(e) Evitar todo tipo de estereótipos e, particularmente, o da promoção de imagens falsas dos migrantes, incluindo trabalhadores/as migrantes e refugiados/as com o intuito de prevenir a difusão de sentimentos de xenofobia entre o público e para incentivar o retrato objetivo e equilibrado de pessoas, dos eventos e da história.



Fórum Social Mundial

Foi, portanto, no contexto da efervescência de debates e acontecimentos estimulados antes, durante e depois da Conferência de Durban e, ainda das discussões formuladas no Fórum Social Mundial (2000), que se iniciou uma nova modalidade de atuação dos jornalistas negros e das jornalistas negras na luta pela inserção da questão negra na mídia: a formação de grupos ligados a sindicatos da categoria com foco no combate ao racismo.
Esses grupos – formados pelo Núcleo de Jornalistas Afrobrasileiros, vinculado ao sindicato dos jornalistas de Rio Grande do Sul, e pelas Comissões de Jornalistas pela Igualdade Racial, vinculadas aos sindicatos de São Paulo, Alagoas, Paraíba, Bahia, Distrito Federal e do município do Rio de Janeiro –, passaram a executar várias ações que vão desde palestras, seminários, livros e publicações sobre o negro no jornalismo até o apoio à produção de um documentário sobre a mulher negra.
Igualdade Racial nos Congressos de Jornalistas

Com forte atuação em rede, esses grupos vêm realizando ações históricas durante os Congressos Nacionais de Jornalistas organizados pela FENAJ – Federação Nacional dos Jornalistas, com aprovação de teses e cobrando a concretização das deliberações.
No encontro nacional da categoria em João Pessoa (PB), em 2004, o Núcleo de Jornalistas AfroBrasileiros do Rio Grande do Sul, a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial de São Paulo e a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do Rio de Janeiro aprovaram a primeira tese intitulada “Visibilidade às Questões Étnicas nos Meios de Comunicação e no Mercado de Trabalho”. O documento aprovado no Congresso relembrou que o racismo é um dos eixos básicos das violações dos direitos humanos e defendeu 10 proposições.


Destacam-se algumas propostas do documento:

1) Que sejam reconhecidas pelo conjunto da categoria as ações contra todo e qualquer tipo de discriminação e em defesa da igualdade étnica desenvolvidas pelo Núcleo de Comunicadores Afrobrasileiros do Rio Grande do Sul no Sindijor-RS, a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do SJPMRJ e a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do SJSP;

2) Que o Sindijor/RS, o SJSP e do SJPMRJ enquanto entidades máximas de representação dos/as jornalistas profissionais dos estados do Rio Grande do Sul e de São Paulo e do município do Rio de Janeiro tomem iniciativas para sensibilizar os/as jornalistas, tanto nas empresas de comunicação quanto nas faculdades de jornalismo, sobre as questões específicas dos/as afrobrasileiros/as e outros segmentos discriminados da população brasileira;

3) Realização de censo do jornalismo brasileiro – em parceria com universidades – com diversos recortes – gênero, racial, socioeconômico, mobilidade social, inatividade etc. – que além de abrir campo para pesquisas diversificadas propiciará um diagnóstico objetivo da categoria;

4) Que o 31º Congresso Nacional de Jornalistas recomende a todos os Sindicatos Estaduais filiados à FENAJ a inclusão da autodeclaração etnicorracial nas fichas sindicais, medida que deve ser precedida por uma campanha de esclarecimento junto à categoria.

Em 2006, o Núcleo de Jornalistas Afrobrasileiros, com o apoio político das demais Cojiras, defendeu a tese “(In) Formação em Relação Racial para jornalistas e acadêmicos de Comunicação”, no Congresso da Fenaj em Ouro Preto, e conclamou a categoria para a urgência política do problema da formação de jornalistas e acadêmicos em relações raciais e para a construção de um imperativo ético capaz de fomentar um novo modelo de imprensa.


Dentre as proposições aprovadas, destacam-se:


1) A plenária do 32º Congresso Estadual de Jornalistas aprovou os

questionamentos básicos sobre a temática específica dos/as afro-brasileiros/as e de outros segmentos discriminados da população brasileira para termos profissionais e acadêmicos melhor preparados para intervir nos espaços sociais de discussão e na base das redações das empresas de comunicação;

2) O 32º Congresso Estadual de Jornalistas recomenda o cumprimento e implementações pela Fenaj das resoluções aprovadas no Congresso da Paraíba,

2004, relativas às políticas de combate ao racismo e de promoção da igualdade;

3) Criação e implementação de cursos/oficinas de (In) formação, capacitação em todos os Sindicatos Estaduais filiados à Fenaj, desenvolvido em parceria com entidades governamentais e da sociedade civil aberto à categoria e acadêmicos das Faculdades de Comunicação com o intuito de melhorar a qualidade de cobertura jornalística dos temas relacionados.

Em 2008, em São Paulo, as Cojiras apresentaram a tese “Propostas para a luta pela igualdade racial”, durante o 33º Congresso Nacional da Fenaj. Na tese, entre outros itens, retomaram a proposta de realização do censo nacional racial na categoria.

O 33º Congresso Nacional de Jornalistas, em decisão histórica, aprovou a criação da Comissão Nacional pela Igualdade Racial, respaldada na Carta de São Paulo, e selou um compromisso pela superação de todas as formas de assédio e discriminação no ambiente de trabalho e social. Será, contudo, somente em 2010, como veremos adiante, que a Comissão Nacional pela Igualdade Racial será formalizada junto à instituição.

Diálogos e parcerias

Foi, em 2009, que surgiu a primeira aliança entre a ONU Mulheres (antes UNIFEM) e esse movimento de jornalistas comprometidos com o combate ao racismo. À convite do Núcleo de Jornalistas Afrobrasileiros – pioneiro nesta iniciativa –, a ONU Mulheres contribuiu para elaboração do painel sobre a Agenda do Programa de Incorporação das Dimensões de Gênero, Raça e Etnia nos Programas de Combate à Pobreza da Bolívia, Brasil, Guatemala e Paraguai para incentivar a mobilização de afrodescendentes para a autodeclaração na rodada dos censos de 2010-2012. O tema foi ainda foco de mais outros seminários realizados pelas Comissões de Jornalistas pela Igualdade Racial de Alagoas (Cojira-AL) e do Rio de Janeiro (Cojira-Rio).


1ª Confecom


Também em 2009 foi realizada a 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), em Brasília. Além da participação ativa dos jornalistas afrodescendentes, a Confecom reuniu centenas de ativistas do movimento pela democratização da comunicação de todo o país, representantes dos setores privado e de órgãos públicos. Dividida em três eixos temáticos (Produção de Conteúdo, Meios de Distribuição e Cidadania, Direitos e Deveres), os grupos foram subdivididos em 15 Grupos de Trabalhos (GTs). Do eixo 3, destacam-se:


1) o GT 14, cujo tema “direito à comunicação e inclusão social”, entre outros assuntos, tratou da criação de uma política de enfrentamento do racismo; e
2) o GT 15, cuja temática foi o respeito e promoção da diversidade cultural, religiosa, etnicorracial, de gênero e orientação sexual.


Cooperação FENAJ e ONU Mulheres
Em 2010, o Núcleo de Jornalistas Afrobrasileiros do Rio Grande do Sul fez um novo convite a ONU Mulheres para se integrar ao 34º Congresso Nacional de Jornalista, organizado pela FENAJ, e que, naquele ano, ocorreria em Porto Alegre.
Para executar a tarefa, a ONU Mulheres acionou as demais agências da ONU e parceiros do Programa Interagencial de Promoção da Igualdade de Gênero, Raça e Etnia para execução de ações conjuntas. Destas, participaram presencialmente das ações no Congresso Nacional de Jornalistas: o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Fundo de Populações das Nações Unidas (UNFPA), Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM).

Na ocasião, foram realizadas Oficinas e Espaços de Articulação de Gênero, Raça e Etnia, durante os três dias do Congresso, com foco:

1) nas relações de gênero, raça e etnia na comunicação,

2) na importância do jornalismo para a equidade de gênero, raça e etnia,

3) gênero no noticiário,

4) imprensa e combate ao racismo,

5) cobertura plural: caminhos possíveis e

6) apresentação de casos de comunicação de agências da ONU.

A FENAJ, por sua vez, referendou a criação da Comissão Nacional de Jornalistas pela Igualdade Etnicorracial (Conajira) proposta pelas Cojiras e pelo Núcleo durante a realização do 34º Congresso Nacional de Jornalistas.
A parceria entre a ONU Mulheres e a Fenaj inaugurou uma nova etapa na luta pela inserção do/a negro/a na mídia: de reconhecimento da causa negra na instância sindical e de parcerias com organismos internacionais e de renomada expertise na temática gênero, raça e etnia.

Durante o 34º Congresso Nacional de Jornalistas, o Núcleo de Jornalistas Afrobrasileiros do Rio Grande do Sul, com o apoio das demais Cojiras, defendeu a tese “A Mídia Contribuindo para uma Nação Igualitária e o Exercício da Desconstrução do Racismo nos Meios de Comunicação e no Meio Sindical”, onde instou os membros da Fenaj a repensar o jornalismo como uma prática social atuante no combate ao racismo na mídia.

De acordo com a tese, “os/as jornalistas – negros/as e não negros/as – tem um papel a cumprir: o de serem promotores da igualdade racial no cotidiano das suas redações, como formadores de opinião”. A pedido da Cojira-Rio, documento destacou, entre outras deliberações ser “fundamental garantir o foco na equidade de gênero com recorte racial em todas as ações e atividades relacionadas à promoção da igualdade racial nas relações de trabalho e na produção de conteúdo jornalístico”.

Ainda em 2010, a ONU Mulheres propôs à FENAJ a celebração do Memorando de Entendimento, assinado durante o congresso em Porto Alegre e cuja primeira ação – o curso de gênero, raça e etnia para jornalistas – é deflagrada a partir deste Curso de Gênero, Raça e Etnia para Jornalistas.

Fazem parte ainda dos termos de cooperação entre FENAJ e ONU Mulheres:

1) apoio da ONU Mulheres à realização de ações da FENAJ para o enfrentamento do racismo, sexismo e etnocentrismo,

2) incentivo à criação de instâncias organizativas de gênero e raça nos sindicatos de jornalistas com a finalidade de combater o racismo, o sexismo e o etnocentrismo e de promoção da igualdade, realização do censo do jornalismo brasileiro,

3) adoção da autodeclaração etnicorracial nas fichas sindicais,

4) apoio às políticas focalistas para empresas jornalísticas,

5) produção de indicadores referentes à cobertura dos temas gênero, raça e etnia na imprensa,

6) produção de conhecimento e de materiais para subsidiar o debate sobre o

jornalismo e relações etnicorraciais e de gênero,

7) demais iniciativas que versem pelo pleno cumprimento dos princípios dos

direitos humanos e marcos internacionais referentes ao gênero, raça e etnia no

Brasil e no mundo, estabelecidos por organismos nacionais e internacionais à luz da liberdade de imprensa.

Fonte: http://generoracaetniaparajornalistas.wordpress.com/