sexta-feira, 28 de agosto de 2009
domingo, 23 de agosto de 2009
As mulheres negras nas quais me apaixonei...
Ando numa subjetividade não sei se global, capitalista ou individualização planetária, lendo as mulheres negras que conversam diretamente com a minha alma. Construindo e me descontruindo em suas palavras. Me sinto uma pintura que virou quebra-cabeça, peças avulsas precisando de um encaixe em algo, um sentido para existir. Será que entrei na era do existencialismo? Experimentalismo? Subjetivismo? Individualismo? Narcisismo?Enfim, o que dentro de mim toca são algumas escritas das mulheres negras nas quais me apaixono a cada dia.

Lendo a Coleção Aplausos/ Perfil – Ruth de Souza – Estrela Negra encontrei este trecho que me sacudiu “ Quando menina, li uma matéria sobre a Harvard University, em Washington, na Revista Life. Tinha uma foto belíssima, que mostrava estudantes negros, muito elegantes na frente da universidade. Durante anos alimentei o sonho de um dia poder freqüentar um lugar como aquele. Anos mais tarde, quando fui estudar nos Estados Unidos, me senti entrando naquele recorte de revista que vinha guardando fazia anos.” Quando li este trecho me alimentou e me questionei sobre quais sonhos e quais projetos traço e alimento.

Navegando em outras escritas, Alice Walker Nos Tempos dos meus familiares têm personagens que é um retrato biográfico do leitor que até assusta.Neste livro fui Fanny em alguns momentos, ela apaixonada por literatura africana e afro-americana tentando fazer com que o seu esposo, um historiador, lesse pelo menos um dos livros, nos quais ela estava espiritualmente amando. Mas ele não lia e muito menos folheava. Para Fanny era um desestimulante interesse de seu esposo de conhecê-la melhor.

Outra leitura recente, também da Coleção Aplausos o perfil de Zezé Motta, minha identificação foi maior do que com a Ruth de Souza,mas por conta da intensidade do engajamento das questões raciais. “ Em 1969, viajei aos Estados Unidos com o grupo Augusto Boal para encenar Arena conta Bolívar e Arena conta Zumbi. Ficamos três meses na estrada (...)Quando nos apresentamos no Harlem, um grupo de militantes negros ficou chocado com o fato de eu usar peruca. Era o auge do black is beautiful, a gente tinha que manter as características originais da raça (...)
Neste dia, voltei para o hotel, tomei um banho demorado e deixei meu cabelo voltar ao natural. É que, além da peruca, eu fazia alisamento com pente quente. Ali eu comecei a me aceitar como negra. Saía nas ruas do Harlem e reparava que os negros americanos andavam de cabeça erguida. Não tinha essa postura subserviente que eu sentia no Brasil e em mim mesma. Essa viagem teve essa importância de fazer com que eu enxergasse meu país de fora.”
Como a minha paixão por Alice Walker foi aumentando, uma sede de lê-la todos os dias. E tem uma química estranha no mundo que quando se conhece um autor, tudo que está como nome dele, parece carregar um letreiro néon que te prende e liberta.
O Marciano montou uma banca com livros e lá estava piscando Vivendo pela palavra.Sim, era ela de novo querendo dialogar com a minha alma. Revelando como numa conversa suas experiências como escritora negra.
Escrevi tudo isso para dizer, que me apaixono pelas mulheres negras que leio. Sou tão elas, quanto a mim mesma. Como diz Katiara “ Só quando me descubro escrava é que me liberto”. Individualismo ou subjetividade recomendo que as conheça.
Axé
Elizandra Souza
Fontes:
- Ruth de Souza - Estrela Negra. Coleção Aplausos-Perfil. Autora: Maria Angela de Jesus. Imprensa Oficial.2004.
- Zezé Motta - Muito Prazer. Coleção Aplausos- Perfil. Autor: Rodrigo Murat.Imprensa Oficial.2005.
- Nos tempos dos meus familiares. Alice Walker.Editora Rocco.1990.
-Vivendo pela palavra. Alice Walker. Editora Rocco.1988.

Lendo a Coleção Aplausos/ Perfil – Ruth de Souza – Estrela Negra encontrei este trecho que me sacudiu “ Quando menina, li uma matéria sobre a Harvard University, em Washington, na Revista Life. Tinha uma foto belíssima, que mostrava estudantes negros, muito elegantes na frente da universidade. Durante anos alimentei o sonho de um dia poder freqüentar um lugar como aquele. Anos mais tarde, quando fui estudar nos Estados Unidos, me senti entrando naquele recorte de revista que vinha guardando fazia anos.” Quando li este trecho me alimentou e me questionei sobre quais sonhos e quais projetos traço e alimento.

Navegando em outras escritas, Alice Walker Nos Tempos dos meus familiares têm personagens que é um retrato biográfico do leitor que até assusta.Neste livro fui Fanny em alguns momentos, ela apaixonada por literatura africana e afro-americana tentando fazer com que o seu esposo, um historiador, lesse pelo menos um dos livros, nos quais ela estava espiritualmente amando. Mas ele não lia e muito menos folheava. Para Fanny era um desestimulante interesse de seu esposo de conhecê-la melhor.

Outra leitura recente, também da Coleção Aplausos o perfil de Zezé Motta, minha identificação foi maior do que com a Ruth de Souza,mas por conta da intensidade do engajamento das questões raciais. “ Em 1969, viajei aos Estados Unidos com o grupo Augusto Boal para encenar Arena conta Bolívar e Arena conta Zumbi. Ficamos três meses na estrada (...)Quando nos apresentamos no Harlem, um grupo de militantes negros ficou chocado com o fato de eu usar peruca. Era o auge do black is beautiful, a gente tinha que manter as características originais da raça (...)
Neste dia, voltei para o hotel, tomei um banho demorado e deixei meu cabelo voltar ao natural. É que, além da peruca, eu fazia alisamento com pente quente. Ali eu comecei a me aceitar como negra. Saía nas ruas do Harlem e reparava que os negros americanos andavam de cabeça erguida. Não tinha essa postura subserviente que eu sentia no Brasil e em mim mesma. Essa viagem teve essa importância de fazer com que eu enxergasse meu país de fora.”
Como a minha paixão por Alice Walker foi aumentando, uma sede de lê-la todos os dias. E tem uma química estranha no mundo que quando se conhece um autor, tudo que está como nome dele, parece carregar um letreiro néon que te prende e liberta.
O Marciano montou uma banca com livros e lá estava piscando Vivendo pela palavra.Sim, era ela de novo querendo dialogar com a minha alma. Revelando como numa conversa suas experiências como escritora negra.
Escrevi tudo isso para dizer, que me apaixono pelas mulheres negras que leio. Sou tão elas, quanto a mim mesma. Como diz Katiara “ Só quando me descubro escrava é que me liberto”. Individualismo ou subjetividade recomendo que as conheça.
Axé
Elizandra Souza
Fontes:
- Ruth de Souza - Estrela Negra. Coleção Aplausos-Perfil. Autora: Maria Angela de Jesus. Imprensa Oficial.2004.
- Zezé Motta - Muito Prazer. Coleção Aplausos- Perfil. Autor: Rodrigo Murat.Imprensa Oficial.2005.
- Nos tempos dos meus familiares. Alice Walker.Editora Rocco.1990.
-Vivendo pela palavra. Alice Walker. Editora Rocco.1988.
sábado, 22 de agosto de 2009
Poesias Fotográficas......
Minhas andanças pelo mundo das imagens..mas como não resisto, vou deixar algumas palavras....Fotos: Elizandra Souza

Molhando, adubando e construindo novos rumos....

"Se essa rua fosse minha eu mandava ladrilhar..."Rua Evolução, Porto Velho, Região do Grajaú, Zona Sul, São Paulo. (Depois de 13 anos no barro...)

Andwele...Ad-mirando o futuro

Posso escolher a direção do meu olhar?

Reunião Ancestral....Pode chegar..Capulanas Cia de Arte Negra -Espetáculo " Solano Trindade e suas negras poesias"
"O melhor lugar do mundo é aqui e agora" - Sintonia sempre...minha brisa...Especial Michael Jackson.

É aqui onde descanso meu corpo...É sempre nessas horas que repouso..que chego e que parto..

De passagem, mas não a passeio...
Molhando, adubando e construindo novos rumos....
"Se essa rua fosse minha eu mandava ladrilhar..."Rua Evolução, Porto Velho, Região do Grajaú, Zona Sul, São Paulo. (Depois de 13 anos no barro...)
Andwele...Ad-mirando o futuro
Posso escolher a direção do meu olhar?
Reunião Ancestral....Pode chegar..Capulanas Cia de Arte Negra -Espetáculo " Solano Trindade e suas negras poesias"
"O melhor lugar do mundo é aqui e agora" - Sintonia sempre...minha brisa...Especial Michael Jackson.
É aqui onde descanso meu corpo...É sempre nessas horas que repouso..que chego e que parto..
De passagem, mas não a passeio...
sábado, 1 de agosto de 2009
Agradecida............

Ganhei este poema de meu irmão-amigo Ral...e quero compartilhar com vocês.
Espero que gostem, porque eu amei...
Valeu Ral. Te amo.
É ISSO QUE NOS CONTAGIA
Boca de dentes largos.
Olhos brilhantes, e lentes reluzentes.
Meigos gestos, bons sentimentos
Guerreira da poesia, escritas insistentes
Mulher negra, negra mulher
Dreds looks, mais não é look
Jornalista que o bem quer
Sei que é do Hip Hop e não do rock
Me desculpe se te decepcionei
Bochechas de pão de mel
Graças a Deus à encontrei
Sei que já passou pelo fel
Torço que daqui pra frente
Só chocolate quente
Que você arrume uma pessoa inteligente
Que tenha a capacidade de ser o gerenteMenina baiana, que é a dona
Que muda a vida
Quero mais que você sorria
Porque é isso que nos contagia.
Autor: RAL
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Aos poucos que acompanham o blog...risos
Estes últimos dias que estava de férias, tirei pra descansar mesmo...o mínimo de computador possível, muito livro lido em cima da cama, de pijama o dia inteiro, mas acabou a mordomia.
Este final de semana, haverá o 1º Encontro Hip Hop Mulher, uma iniciativa de Tiely, com a participação de mulheres do Hip Hop de vários estados brasileiros.
No domingo o encerramento será aberto para o público.Beijocas Elizandra Souza
Confira o Flyer.
Este final de semana, haverá o 1º Encontro Hip Hop Mulher, uma iniciativa de Tiely, com a participação de mulheres do Hip Hop de vários estados brasileiros.
No domingo o encerramento será aberto para o público.Beijocas Elizandra Souza
Confira o Flyer.
terça-feira, 7 de julho de 2009
terça-feira, 30 de junho de 2009
quarta-feira, 24 de junho de 2009
GAMELEIRA * - Por Elizandra Souza

“Seja em qual circunstância for
É em legitima defesa
O escravo que mata seu senhor”
Assim, Gama defendia os seus
Advogado por si mesmo
Autodidata das leis...
No esquecimento das páginas
Oficiais de nossa história
Luiz Gama -um guerreiro - sem memória
De filho liberto a escravo
Vendido pelo próprio pai
Lutador por um país sem rei
Trinta anos antes da mentirosa abolição
Pedia dinheiro na rua - contribuição
Para a compra das alforrias dos irmãos
Insubmissão, herdada de Luiza Mahin
Sua majestosa mãe que deixou a Bahia
Temida pelos senhores – Malês, Levante!!!
Avante, não deixou legado financeiro,
Mas eis aqui conselho para Benedito seu herdeiro:
“Crê, que o estudo é o melhor entretenimento”
“E o livro o melhor amigo”
“Desconfie sempre dos poderosos”
Gama, Gama, Gama
Gameleira de raízes profundas
Agarre-se a um dos seus galhos e não se descuida!
A diabete matou esse homem,
mas não a essência dos seus ideais...
“Seja em qual circunstância for
É em legitima defesa
O escravo que mata seu senhor”
Matamos nossos senhores
Quando pegamos em canetas
O estudo é um tiro certeiro...
Modernas cartas de alforrias
Vamos nos defender
Seja na palavra escrita ou na falada
Poesia ou embolada...
Beba na gamela da fonte de Luiz Gama.
Gameleira de raízes profundas e profanas.
Elizandra Batista de Souza, publicado na Revista Grap. Grafismo e Poesia, Dezembro 2007.
* É uma árvore extremamente importante para os iniciados nas Religiões de Matriz Africana, nela são guardados fundamentos, histórias, o axé sagrado... é uma das que mais Tempo vive, sua força atravessa séculos guardando a nossa memória ancestral, creio que uma das poucas equivalentes a ela é o grandioso e milenar Baobá.
terça-feira, 23 de junho de 2009
Edições Toró no Sesc Pinheiros, 25 de Junho!

Dá licença, povo.
Bolando o fechamento da exposição Blooks, que no SESC Pinheiros desde maio discute as tranças entre versos e computz, entre escrita e cyberninhos, entre literatura e tecla internética, a Edições Toró lança e apresenta sua cena de Poesia, Atabaque & Mandinga.
Editando uma roda no chão do SESC, a Toró vem com a Poesia das ladeiras de Akins Kinte e de Allan da Rosa, com a dança de rua mesclada ao giros d´Afro de Mateus Subverso e do B-Boy Jeff, mais a geometria da percussão de Márcio Nêgo Folha.
Vamo nóis, por ventos que vem de longe no tempo, mas com a quentura do nosso sol nesses dias frios. Vamo com uma pitadinha de teatro, tocando nossa flauta e jogando nossa angola.
E a gente tá aqui chamando pra participar com a gente, pra apreciar ou vaiar, oferecer abraço ou jogar tomate, mas de frente.
A primeira presença é quinta agora, 25 de junho, às sete da noite. No SESC Pinheiros: Rua Paes Leme, 195. Entrada franca e verdadeira.
Cola no nosso sítio, www.edicoestoro.net, pra ver a confecção do convite dendezado pelo Mateus Subverso. E pra ver e ouvir as águas dos nossos livros, programas de rádio-literatura, entrevistas, vídeos e pesquisas de quem pratica os estudos nas praias paulistanas, na literatura periférica e na africania da educação e da transmissão do saber.
Convidando de verdade e agradecidos pela atenção,
Edições Toró.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
África e Sertão: à maneira de um Manifesto.

Ontem fui assistir ao espetáculo Mercadorias e Futuro, com o Lirinha no Projeto Cultural Antitodo - Seminário Internacional de Ações Culturais em Zona de Conflito e a abertura foi este lindo poema da poeta pernambucana Micheliny Verunschk. confira e me digam o que acham. Aproveitem para assistir as peças e os seminários.
África e Sertão: à Maneira de um Manifesto
Por Micheliny Verunschk
Tomamos a África pela mão direita e o Sertão pela mão esquerda.
Ela, nossa mãe desconhecida.
Ele, nosso pai imaginário.
Dos berberes e soninkés é nossa carne de areia.
Dos vaqueiros encourados é nosso sangue mais denso que o real.
Nossa mãe multiplica sua face no sexo das meninas violadas, infibuladas,
prostituídas.
Nosso pai multiplica seu coração no peito dos meninos abandonados,
alcoolizados, à margem da margem de um rio seco e pedregoso ao qual chamamos
de História.
Nossa mãe tem os olhos do céu de Moçambique.
Nosso pai tem a pele do poente do Moxotó.
Declaramos que nossa mãe está na fala, no sabor, na dança e na música que
nos move a alma.
Declaramos que ela é múltipla e única, terrível e bela.
Mas não a conhecemos senão pela História, que é sempre parcial, pelas
estatísticas que são sempre sem rosto ou peso de carne humana, pelo olho
fotográfico que ousa nos dar a cara do nosso tempo mas que nem sempre revela
que um ponto de vista pode ser também uma trave que nos impede a visão.
Declaramos que nosso pai está no esqueleto de concreto de toda cidade desse
país, que sua fala acentuada é a marca de nossa memória, que sua coragem é o
território ao qual ainda não nos aventuramos por completo.
Nosso pai e seu rosto ainda por se construir. Nosso pai e seus mitos por se
confirmar.
Nossa mãe e nosso pai ainda mal contados, mal traçados, e ainda que amados,
tão mal-amados.
Nossa mãe e nosso pai, tanto sol, tanta escuridão.
África e Sertão, de mãos dadas.
Tão pobres. Tão ricos.
Tão distantes. Tão unidos.
Na mina que explode, no vírus que explode, na fome que explode.
Na beleza que é potência, na vastidão que é potência, no vir-a ser que é
potência.
África e Sertão.
Minha mãe, meu pai.
Tua mãe, teu pai.
Nossa mãe, nosso pai.
África e Sertão.
Terra prometida.
Colo desejado.
Expectativa.
Acesse:
http://www.itaucultural.org.br/antidoto2009/
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Monólogo Informal - Ana Paula Risos..Não percam!!
sábado, 30 de maio de 2009
Manga Madura - Por: Elizandra Souza

Na minha infância, este dia denominado sábado era o mais esperado (hoje se tornou muito mais), pois eu andava de bicicletas, podia ir à fazenda do meu avô, brincar com o balanço que ele fez pra mim, embaixo do pé de cajueiro.
Hoje com essa vida maluca e semana sufocante onde dedico maior parte do meu tempo cumprindo burocracias e obrigações, mesmo que seja no meu trabalho e na minha faculdade que amo, é como só comer a manga sem chupar o caroço fica um processo inacabado.
Pensando bem o nome sábado, vem da origem do saber, ou melhor, saber sobre si mesmo. Pois se consigo dormir até o corpo pedir para levantar, sinto uma deliciosa vontade de ler livros que me levem para outros lugares ou filmes que me teletransportem assim, só com os olhos e ouvidos.
Gosto também de não fazer nada, acredito que o ócio é criativo e traz palavras do além, além de mim mesma.
Como as árvores a vida cresce e dá frutos, hoje recebo meu sobrinho na minha casa e sempre brincamos aos sábados e vejo seus primeiros experimentos, andando que nem um patinho ou como um sonâmbulo com os braços pra frente tentando se equilibrar e também tentando entrar no armário de mantimentos com a sua motoca.
Neste dia, sábado de eu sei, eu saberei posso desfrutar do pé da mangueira, da manga e do caroço.
Sábado é uma manga madura que posso me lambuzar.
Por Elizandra Souza, realizado no Curso de Redação Criativa, ministrado pela Profª Mônica Martinez, na atividade sobre Mapa Mental no dia 30/05/2009.
Mulher Negra, novo programa online Tobossis - Virando a Mesa

Tobossis Virando a Mesa é um programa online semanal que vai ao ar todas as quartas-feiras nos sites youtube.com, vidilife.com e tantos outros, além do nosso blog. Diante da ausëncia de programas que privilegiem e destaquem as lutas, conquistas e desafios da mulher Negra no campo midiático, Tobossis decide virar a mesa e ocupar um dos campos determinantes no processo de construcao identitario: O campo da imagem, da Comunicacao, portanto. Demarcamos aqui um dos territórios no qual a voz da mulher negra será ouvida e respeitada, afim de estabelecer o diálogo com outras mulheres e homens, negros ou não, a partir do nosso lugar, olhar e percepção de mundo.
Tobossis Virando a Mesa dá continuidade a luta de Lélias, Mahins, Rosas, Bells, Marias, Menininhas, Senhoras, Ciatas, Franciscas, Jandiras, enfim, todas as mulheres negras, reconhecidas ou não, que lutaram da maneira que foi possível para que chegássemos até aqui.
Com temas variados, Tobossis conta com a participação de três negras mulheres para virar a mesa: a estudante e esteticista Marah Akin, a jornalista e poetisa Mel Adún e a jornalista e musicista Víviam Caroline.
Idealizado e realizado pelo grupo Abará Tabuleiro da Comunicação, Tobossis Virando a Mesa nasce com a intenção de também chacoalhar a rede!
Assistam:
Fonte: http://tobossis.blogspot.com/
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Oficina Roda de Histórias Indígenas

Oficina Roda de Histórias Indígenas
A atividade, gratuita, acontecerá dia 20/junho na ONG Papel Jornal, em 2 horários
As histórias indígenas são um manancial de imagens, por vezes inusitadas, que revelam temas fundamentais da condição humana, os fenômenos da natureza e a origem das coisas, demonstrando assim a vasta capacidade do homem em dar sentido e criar diferentes modos de vida.
Inspirada no aprendizado junto às narrativas indígenas, o grupo de contadores Roda de Histórias Indígenas em parceria com o Inbrapi - Instituto Indigena Brasileiro para Propriedade Intelectual, convida a uma mobilização em vivências criativas para desenvolver o imaginário, o auto-conhecimento e a solidariedade.
Apoiado pelo Programa Petrobras Cultural, na área de Educação para as Artes, que tem como objetivo viabilizar a produção e distribuição de materiais de apoio para educadores e agentes culturais comunitários, o grupo produziu uma coleção com quatro CDs de áudio com narrativas de diferentes povos indígenas, trilha sonora original e livreto ilustrado com sugestões pedagógicas
Em cada oficina haverá distribuição gratuita de alguns destes kits para Escolas e/ou Bibliotecas.
Nosso trabalho se destina a crianças, jovens e adultos: educadores, terapeutas, artistas e todas as pessoas interessadas em mitologia nativa”, explica Rute Casoy, coordenadora do projeto.
Programa:
· Contextualização cultural
· Debate
· Roda de histórias
· Dinâmicas de sensibilização
Equipe:
· Organização: Nilda Rodrigues
· Focalizadores/as: Rute Casoy, Juliana Franklin de Oliveira, Ana Gibson
· Apoio: ONG Papel Jornal
Inscrições: Serão 20 vagas por turma, solicite ficha para se inscrever: nyldarodriguez@uol.com.br
Telefone: (11) 9251 9895
Data/Horário
Local
Turma 1
20/junho (sábado) das 9h às 12h
ONG Papel Jornal – Rua Roberto Selmi Dei, 187 – Altura do no. 2.200 da M”Boi Mirim – Zona Sul de SP
Turma 2
20/junho (sábado) das 14h às 17h
ONG Papel Jornal – Rua Roberto Selmi Dei, 187 – Altura do no. 2.200 da M”Boi Mirim – Zona Sul de SP
Me acorde!!!!!!!Alternawell

"Me acorde com um acorde animado
Que me deixe à vontade com a vida."
Autor: Alternawell
Acesse: http://WWW.ALTERNAWELL.BLOGSPOT.COM
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Debate sobre Jornalismo Literário com Allan da Rosa, Eliane Brum, entre outros
IV Jornalirismo Debate
Mesa: Jornalismo Literário
Eliane Brum (Revista Época)
Pedro Bial (TV Globo)
Allan da Rosa (Edições Toró)
Daniel Piza ( Revista Bravo e O Estado de São Paulo)
Sérgio Vilas Boas ( Academia Brasileira de Jornalismo Literário)
Dia 26/05 (terça-feira), das 19hs30 às 22hs. No SENAC Lapa – Rua Tito, 96.
Saiba Mais:http://jornalirismo.terra.com.br/eventos/24/676-eliane-brum-daniel-piza-sergio-vilas-boas-e-allan-da-rosa-debatem-jornalismo-literario
Mesa: Jornalismo Literário
Eliane Brum (Revista Época)
Pedro Bial (TV Globo)
Allan da Rosa (Edições Toró)
Daniel Piza ( Revista Bravo e O Estado de São Paulo)
Sérgio Vilas Boas ( Academia Brasileira de Jornalismo Literário)
Dia 26/05 (terça-feira), das 19hs30 às 22hs. No SENAC Lapa – Rua Tito, 96.
Saiba Mais:http://jornalirismo.terra.com.br/eventos/24/676-eliane-brum-daniel-piza-sergio-vilas-boas-e-allan-da-rosa-debatem-jornalismo-literario
Você é a favor ou contra a política de cotas nas Universidades Públicas?
No site da Agência Senado, há uma enquete com a pergunta: “Em sua opinião qual seria a melhor opção para adoção do sistema de cotas para as universidades públicas?”, o resultado é o seguinte:
Cotas raciais - 10,90%
Cotas sociais - 3,1%
Não concordo com o sistema de cotas - 85, 91%
Portanto é importante que todos aqueles que são favoráveis as cotas para negros e índios entrem no site e deixem o seu voto.
http://www.senado.gov.br/agencia
Notícias dão conta de que apenas 6 dos 23 senadores que formam a comissão são favoráveis ao ingresso de negros e índios nas universidades através das cotas.
http://www.diariodepernambuco.com.br/2009/04/24/brasil2_0.asp
Cotas raciais - 10,90%
Cotas sociais - 3,1%
Não concordo com o sistema de cotas - 85, 91%
Portanto é importante que todos aqueles que são favoráveis as cotas para negros e índios entrem no site e deixem o seu voto.
http://www.senado.gov.br/agencia
Notícias dão conta de que apenas 6 dos 23 senadores que formam a comissão são favoráveis ao ingresso de negros e índios nas universidades através das cotas.
http://www.diariodepernambuco.com.br/2009/04/24/brasil2_0.asp
quarta-feira, 20 de maio de 2009
segunda-feira, 18 de maio de 2009
A palavra que aconchega e encanta!
Fotos: Ana Paula S. Bezerra

Este final de semana foi muito importante e significativo, pois pude aprender e ensinar. Recebi um convite do Coletivo Griot’s de ser uma facilitadora numa roda de literatura feminina, a principio aceitei, mas fiquei preocupada, o que eu iria abordar, pois não é porque sou mulher, que me qualifica sobre a temática. Eu não sou uma especialista, sou apenas uma curiosa dos pensamentos das mulheres de todos os tempos e realidades sociais. Mas em especial, amo a literatura escrita por mulheres negras, por ser uma delas e por acreditar na importância da sua força, luta, ginga e ideais.
Estávamos em oito pessoas reunidas, no CIC Encosta Norte, sábado no finzinho da tarde, lá no alto, onde o vento assobia e abraça o bairro com sua ventania, que sacode as cortinas, bate portas e janelas e sai sorrindo por todos os cantos dos milhares de apartamentos populares que caracterizam a comunidade.
Ana Paula, conhecida como Paulinha foi à anfitriã, até então eu achava que era a outra Ana Paula, que é conhecida como Aninha (esses detalhes são internos do Coletivo) nos encontramos no Brás e fomos conversando tão empolgadas que esquecemos que se passaram por volta de uma hora e 20 minutos até chegar no CIC, foi uma das poucas vezes que eu cheguei antes do horário. Ficamos ali observando uma aula para bombeiros miris, aguardando as pessoas chegarem.
Iniciei me apresentando,mas falando muito pouco que eu queria cumprir a tarefa proposta. Comecei com o Zenzele – Uma carta para a minha filha, da escritora zimbabuense, J. Nozipo Maraire, foi deste livro que encontrei o meu pseudônimo e nome do meu fanzine Mjiba. As Mjibas são mulheres que lutaram a favor da Independência de Zimbábue, temidas e admiradas, elas matavam para cumprir um ideal de libertação. Mjiba é um dialeto chona, que significa Jovem Mulher Revolucionária.
Foram feitos alguns comentários e prossegui com a leitura de Carolina Maria de Jesus, Diário de Bitita, li um dos capítulos que falavam porque Bitita quando criança queria virar homem. Este texto é um misto de tristeza e alegria, sorriso amargo e lágrima doce, costumo sempre dizer, pois tem uma hora que ela fala do alimento, o sonho dela era comer pão com sardinha todos os dias, e ficamos comentando como o alimento na nossa infância, era inacessível, comer danones era visitar o céu estrelado, bolacha recheada era pra quem tinha madrinha com varinha e esses enredos alegre-triste da infância, que as coisas ganhavam mais proporções do que elas valiam de fato.
Prossegui nessa literatura que envolve o imaginário da menina, com a leitura do conto, o Enterro da Barata, da escritora Geni Guimarães (ela já participou da série Cadernos Negros, só não lembro as edições), neste texto a menina tem mania de imitar animais, ela não queria mais conversa com as pessoas, só falava o necessário. Numa tarde ela viu várias formigas, levando uma barata morto,imaginou ser uma falta de respeito não acompanhar o enterro e ficou até o finalzinho da tarde, a família estava desesperada e ela simplesmente falou que estava sendo solidária só isso. A família pensou que ela estivesse com um encosto, e a levou numa benzedeira que disse que ela estava sendo acompanha pelo Espírito de Zumbi. E foram vários rituais para que a menina fosse curada...e segue com mais elementos...
Ficamos conversando sobre a imaginação infantil.
A roda de conversa foi assim gostosa e aconchegante, não quero cansa-los com a minha felicidade, mas fica o convite para as próximas rodas, a primeira foi o Sacolinha e provavelmente a terceira será o Akins.
Aguardem. Agradeço ao Coletivo, fiquei muito contente de compartilhar palavras, carinho, bolachas e refrigerantes. Vida Longa para o Coletivo e suas atividades.
Abraços poéticos
Elizandra Souza, 18 de maio de 2009.
Confira mais fotos:




Este final de semana foi muito importante e significativo, pois pude aprender e ensinar. Recebi um convite do Coletivo Griot’s de ser uma facilitadora numa roda de literatura feminina, a principio aceitei, mas fiquei preocupada, o que eu iria abordar, pois não é porque sou mulher, que me qualifica sobre a temática. Eu não sou uma especialista, sou apenas uma curiosa dos pensamentos das mulheres de todos os tempos e realidades sociais. Mas em especial, amo a literatura escrita por mulheres negras, por ser uma delas e por acreditar na importância da sua força, luta, ginga e ideais.
Estávamos em oito pessoas reunidas, no CIC Encosta Norte, sábado no finzinho da tarde, lá no alto, onde o vento assobia e abraça o bairro com sua ventania, que sacode as cortinas, bate portas e janelas e sai sorrindo por todos os cantos dos milhares de apartamentos populares que caracterizam a comunidade.
Ana Paula, conhecida como Paulinha foi à anfitriã, até então eu achava que era a outra Ana Paula, que é conhecida como Aninha (esses detalhes são internos do Coletivo) nos encontramos no Brás e fomos conversando tão empolgadas que esquecemos que se passaram por volta de uma hora e 20 minutos até chegar no CIC, foi uma das poucas vezes que eu cheguei antes do horário. Ficamos ali observando uma aula para bombeiros miris, aguardando as pessoas chegarem.
Iniciei me apresentando,mas falando muito pouco que eu queria cumprir a tarefa proposta. Comecei com o Zenzele – Uma carta para a minha filha, da escritora zimbabuense, J. Nozipo Maraire, foi deste livro que encontrei o meu pseudônimo e nome do meu fanzine Mjiba. As Mjibas são mulheres que lutaram a favor da Independência de Zimbábue, temidas e admiradas, elas matavam para cumprir um ideal de libertação. Mjiba é um dialeto chona, que significa Jovem Mulher Revolucionária.
Foram feitos alguns comentários e prossegui com a leitura de Carolina Maria de Jesus, Diário de Bitita, li um dos capítulos que falavam porque Bitita quando criança queria virar homem. Este texto é um misto de tristeza e alegria, sorriso amargo e lágrima doce, costumo sempre dizer, pois tem uma hora que ela fala do alimento, o sonho dela era comer pão com sardinha todos os dias, e ficamos comentando como o alimento na nossa infância, era inacessível, comer danones era visitar o céu estrelado, bolacha recheada era pra quem tinha madrinha com varinha e esses enredos alegre-triste da infância, que as coisas ganhavam mais proporções do que elas valiam de fato.
Prossegui nessa literatura que envolve o imaginário da menina, com a leitura do conto, o Enterro da Barata, da escritora Geni Guimarães (ela já participou da série Cadernos Negros, só não lembro as edições), neste texto a menina tem mania de imitar animais, ela não queria mais conversa com as pessoas, só falava o necessário. Numa tarde ela viu várias formigas, levando uma barata morto,imaginou ser uma falta de respeito não acompanhar o enterro e ficou até o finalzinho da tarde, a família estava desesperada e ela simplesmente falou que estava sendo solidária só isso. A família pensou que ela estivesse com um encosto, e a levou numa benzedeira que disse que ela estava sendo acompanha pelo Espírito de Zumbi. E foram vários rituais para que a menina fosse curada...e segue com mais elementos...
Ficamos conversando sobre a imaginação infantil.
A roda de conversa foi assim gostosa e aconchegante, não quero cansa-los com a minha felicidade, mas fica o convite para as próximas rodas, a primeira foi o Sacolinha e provavelmente a terceira será o Akins.
Aguardem. Agradeço ao Coletivo, fiquei muito contente de compartilhar palavras, carinho, bolachas e refrigerantes. Vida Longa para o Coletivo e suas atividades.
Abraços poéticos
Elizandra Souza, 18 de maio de 2009.
Confira mais fotos:
sábado, 16 de maio de 2009
Hoje Roda de Conversa sobre Literatura Feminina por Elizandra Souza, organizado pelo Coletivo Griot's
Carolina Maria de Jesus
Paulina Chiziane

Clarice Lispector
Roda de Literatura Feminina com a poetisa Elizandra Souza
Elizandra Souza nasceu na cidade de São Paulo, estudante do curso de jornalismo e redatora da Agenda Cultural da Periferia. É escritora, autora do livro “Punga” (poesias), co-autoria de Akins Kinte pela Edições Toró. Editora do Fanzine Mjiba (2001-2005). Poeta da Cooperifa desde 2004. Participou das antologias Cadernos Negros 29 e 30, Sarau Elo da Corrente, Negrafias e colaborou em outras publicações.
Contato: amandlamjiba@yahoo.com.br
Blog: http://www.mjiba.blogspot.com/
Data: 16/05
Horário: das 17h30 às 19h
Local: CIC - Encosta Norte:
R. Padre Virgílio Campello, 150
Encosta Norte - Itaim Paulista
Tel.: 11 2562.2440
Organização: Coletivo Griots
Blog: http://projetogriots.blogspot.com/
Telefone: 8034-4112 c/ Paula 8162-0683 c/ Ana
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Denúcia atrasada - Por: Elisangela Souza


Hoje pela manhã passou na TV sobre a Campanha de arrecadação de alimentos e roupas paras as vítimas das enchentes no nordeste e para confirmação (e não dá pra dizer espanto) foram arrecadados em torno de 150kg de alimentos, sem contar que a Defesa Civil ainda não se manifestou quanto o transporte do material arrecado.
Não faz muito tempo, aconteceu um desastre de proporção parecida em Santa Catarina e com a solidariedade do povo brasileiro, aconteceu muitas campanhas, tanto de arrecadação de alimnetos e roupas, como de arrecadação de dinheiro pra reconstruir os lugares atingidos. Tendo até pessoas dizendo que não tinha mais onde colar tanta coisa que estavam andando, chegando até a estragar os alimentos, por não dá conta da distribuição de tudo.
Teve uma propaganda em atletas dizia que Santa Catarina já deu tanto orgulho para o país e isso não podemos negar, estava na hora do Brasil retribuir em solidariedade.
De súbito, lembro-me que hoje diz-se o dia de denúncia contra o racismo, engraçado, não?
A poucos anos atrás no país de primeiro mundo também esqueceram Nova Orleans no sul dos Estados Unidos.
Nem preciso estender, mas completo minha indignação com uma música que fecha esse assunto.
Cidadão
Zé Geraldo
Composição: Lucio Barbosa
Tá vendo aquele edifício moço?
Ajudei a levantar
Foi um tempo de aflição
Eram quatro condução
Duas pra ir, duas pra voltar
Hoje depois dele pronto
Olho pra cima e fico tonto
Mas me chega um cidadão
E me diz desconfiado, tu tá aí admirado
Ou tá querendo roubar?
Meu domingo tá perdido
Vou pra casa entristecido
Dá vontade de beber
E pra aumentar o meu tédio
Eu nem posso olhar pro prédio
Que eu ajudei a fazer
Tá vendo aquele colégio moço?
Eu também trabalhei lá
Lá eu quase me arrebento
Pus a massa fiz cimento
Ajudei a rebocar
Minha filha inocente
Vem pra mim toda contente
Pai vou me matricular
Mas me diz um cidadão
Criança de pé no chão
Aqui não pode estudar
Esta dor doeu mais forte
Por que que eu deixei o norte
Eu me pus a me dizer
Lá a seca castigava mas o pouco que eu plantava
Tinha direito a comer
Tá vendo aquela igreja moço?
Onde o padre diz amém
Pus o sino e o badalo
Enchi minha mão de calo
Lá eu trabalhei também
Lá sim valeu a pena
Tem quermesse, tem novena
E o padre me deixa entrar
Foi lá que cristo me disse
Rapaz deixe de tolice
Não se deixe amedrontar
Fui eu quem criou a terra
Enchi o rio fiz a serra
Não deixei nada faltar
Hoje o homem criou asas
E na maioria das casas
Eu também não posso entrar
Fui eu quem criou a terra
Enchi o rio fiz a serra
Não deixei nada faltar
Hoje o homem criou asas
E na maioria das casas
Eu também não posso entrar
Assim, está feita a minha denúncia que infelizmente não é só hoje, é de ontem.
Um abraço,
Elis
quinta-feira, 7 de maio de 2009
Fundição - Elizandra Souza

Sou capaz de fundir-me...
juntar sua história com a minha,
correr nas suas estradas,
passear nos seus distantes campos,
desenhar-me nas suas tranças.
Sou capaz de fundir-me...
sem perder-se de mim mesma
e sem apagá-lo de si.
Girando como seu disco de vinil
quando toca uma canção.
Sou capaz de fundir-me...
sendo aquela mixagem
sua miragem da minha imagem
refletida no espelho da nossa Sintonia
sua música na junção da minha poesia.
Sou capaz de fundir-me...
nessa sua pele preta
reluzindo na luz do dia.
Suor deslizando no corpo
chuva que escorre na vidraça da janela.
Sou capaz de fundir-me,
mas você não quer me dá seu coração”
aguardo o retorno da nossa canção
como quem exaustivamente espera o entardecer
ou o encontro casual do sol e da lua ao anoitecer.
** Poema publicado na Antologia Negrafias, 2008.
terça-feira, 28 de abril de 2009
NOVA SEÇÃO DE CULINÁRIA NA AGENDA CULTURAL DA PERIFERIA

Este mês de maio na 23ªedição de dois anos da Agenda Cultural da Periferia, estamos com uma nova seção de Culinária e já está na rede a programação cultural de maio 2009. Segue algumas fotos do Waldo Lao e textos do coordenador editorial: Eleilson Leite.
CASA DO NORTE SABOEIRO
Sabores e saberes do Ceará
No sertão do Inhamuns no Ceará tem uma árvore que se chama Sabonete e dela se faz sabão. A Cidade de Saboeiro, um dos mais antigos municípios cearenses, leva este nome devido à abundância daquela planta em suas terras. Foi em meio a esses arbustos que cresceu Francisco Elisiário Paulino, o Sr. Paulino.
Ele chegou em São Paulo em 1967, tornou-se garçom e nunca mais largou a profissão seja como dono ou como empregado de bares e restaurantes. Em 1994 ele se juntou com Miguel Gomes, paulistano, ex-vendedor de calçados e assumiram a Casa do Norte Saboeiro a eles vendida por um conterrâneo. Miguel, além de sócio tornou-se genro.
A referência à terra natal se traduz no cardápio de comida típica servida no almoço de segunda a sábado: caldo de mocotó, mocofava, cabrito, baião de dois (sob encomenda), jabá, torresmo, feijão de corda, fava e os destaques: sarapatel e buchada (foto). A culinária segue o padrão da cozinha do interior cearense. Inclusive a buchada é servida embrulhada e costurada no próprio bucho do bode cmo manda a tradição. Preparada assim, essa iguaria torna-se uma raridade que vale à pena conferir.
O preço médio dos pratos típicos é de R$ 9,00, exceto a buchada R$ 15,00 (serve até 3 pessoas) e a famosa feijoada a R$ 11,00. Há também um cardápio trivial bom e barato. No Saboeiro, um Comercial custa R$ 4,50. Lá também se encontra a saudosa Tubaina muito consumida no local.
Casa do Norte Saboeiro – Rua João Carlos Fortim, 46, Jd. Tremembé, São Paulo, Zona Norte, Segunda a sexta das 11h as 20h, sábados até as 18h, 60 lugares Aceita tikets, cheques e VR. Não trabalha com cartões de crédito. (11) 2952-5412.
Acessem: www.agendadaperiferia.org.br
segunda-feira, 20 de abril de 2009
ORIKI PARA ELIZANDRA (MJIBA)
Foto: Waldo Lao.JPG)
Rosa Zona Sul
Rosa Zona Sul
Princesa Quilombo Azul
palavra-viga da quebrada
escrita em vida
entre Becos e Vielas
tece poemas na preta pele
porejam versos em nosso olhar
Menina-cantiga
em rima Aqualtune-Dandara
no Sarau da Cooperifa é guerreira majestosa
Nesse terreiro
de poetas
guerrilheiros
sonhadores
traga seu alguidar
cheio de poesia colorida e afiada
para o rubro retrato da periferia revolucionar
OUBÍ INAÊ KIBUKO, Publicado originalmente em Cadernos Negros 29, poemas afro-brasileiros, Edição Quilombhoje, 2006.
## Oubí, lembro de ter agradecido timidamente,mas adoro este poema. Foi uma supresa e uma homenagem muito especial pra mim. Agradecida.Abraços poeticos e perifericos.
Elizandra Souza
sexta-feira, 17 de abril de 2009
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Graça - Ana Paula dos Santos Risos

Qual a sua graça moça?
- A minha graça é uma desgraça sem fim
que talvez se perceba quando olhe pra mim.
Eu sou o lírio do campo de guerra.
De uma guerra semface.
Que se perde assim,
num sim e num não.
Numa chibata dolorida,
numa moça desconhecida.
Tratada como o óbvio.
Tratada como lógico.
Mas que de nada disso tem,
tratada como um relógio despertador,
que apanha todos os dias,
mas que não tem tempo.
Jogada ao vento,
por aqueles que são lentos,
Cabisbaixa, mas não se encaixa nesse perfil.
Não é conivente nem servil
Deixa nóis livre, deixa nóis livre.
Fonte: Livreto intitulado Ainda no Invisivél. Para adquirir entrar em contato com a Ana PAula. Apenas R$ 2,00.
Contatos: anamo.teatro@yahoo.com.br
celular: (011)9863-5533
terça-feira, 14 de abril de 2009
Um Dedinho de Amor - De Elisa Lucinda

Mamãe tinha cinco filhos e um marido que amava, mas nunca associara amor de casamento com os frutos dessa união.
Não tinha um dedinho de consideração por nós. O Kiko ficou reprovado pela 2ª vez na mesma série, e ela disse apenas folheando o jornal: é novo, ano que vem passa.
Eu pequena, olhava aquela hereditariedade de desafeto, aqueles irmãos vindo antes de mim sem afago de mãe. Eu caçula, observava e pensava: qual será a escala para escalá-la? Nada. Era sempre uma mãe distante, mãe montanha, mãe gigante, mãe longe, não imbuída de nos amar, não incumbida dos mais naturais cuidados: merenda, beijo, histórias na hora de dormir, preocupações pentelhas – Não suba no muro, não caia daí!
Ai, era uma mãe extra mater. Parecia que estivéramos todos fora dela quando dentro. Até que um dia o irmão do meio adoeceu sinistramente na sexta e no domingo definitivamente nos deixou. Eu mal chorava. Tudo em mim eram olhos espantados de ver minha mãe assolada de uma ternura mórbida, porém ternuríssima, sobre o corpo: meu filho, meu amado, meu preferido, minha vida. Proferia ela amorosos impropérios destoantes do que eu entendia como real até então. Na dor da perda, minha mãe amava mais aquele filho do que a todos quando nasceram: filho meu, bendito filho meu, o que será de mim?
Compreendi que a culpa disparava nela um amor retroativo, forte, maravilhoso que, se não ressussitara meu irmão, tamanha sua força, em mim produzira uma extensa lavoura de esperança de afeto.
E fora assim desde então. Se algum adoecia, minha mãe fechava as portas dos jornais, da televisão, do marido, do mundo, pra ser só mãe daquele filho enfermo. Cabeceiras insones, histórias contadas até a febre se render, beijos longos que diziam: não me deixe amado, não me deixe.
E eu? Eu tinha era uma filha da puta de uma saúde que teimava em não me largar. Todo mundo lá em casa pegava gripe forte, porque ainda não existia dengue, pegava hepatite tipo analfabeta, porque ainda não havia classificação, caxumba, catapora e infecções sucessivas de garganta. E eu, boinha da silva! Me encostava em todos, me oferecia para cuidar; pequenina ainda, queria respirar o ar contaminado do sangue irmão. E nada. Ela mesmo dizia: essa não precisa de mim. E eu precisava.Então passei a perseguir acidentes naturais, árvores altas, bombas proibídas em São João, altas velocidades em carrinhos de rolimã, mãos perto demais das fogueiras, mas nenhum galho fraco era meu cúmplice, nenhuma bomba amiga minha, explodira, nenhuma ladeira era minha companheira, nenhuma chama minha irmã.
Um dia, tinha só cinco, fui na gráfica do meu pai. Pensei, vou machucar um pedacinho do meu dedo, vai doer, vai ter sangue, curativo, lágrimas de minha desejada mãe, alguma febre, choro meu, colo, colo, colo e, só depois, muito depois, conserto. Só que a máquina era lâmina e minha matemática, pouca. Calculei mal. Pus o mindinho na guilhotina e fechei os olhos pensando nos olhos de minha adorada mãe que eu ainda não havia experimentado acolhedores sobre mim. Eu era a última, a menorzinha, a despedida da prole, carregava a impressão de ter nascido e ouvido um adeus ao mesmo tempo. A máquina decepara meu dedo. Deixara apenas uma falange-cotoco primeira, uma base de dedo. Foi rápido. Sangue, muito mais sangue do que eu previa. Torpor. Meu pai desesperado trazido amparado pelos empregados eu não vi. Vi só minha mãe morrendo de dor pelo dedinho meu que perdi e que em mim não doía e nem fazia falta. - Minha filha, minha filhinha adorada, minha preferida, minha garotinha amada, mamãe tá aqui, tá doendo? Responde, tá doendo? E, eu mentindo: muito mamãe, muito. Mas, não doía nada. Se doía, o amor de minha mãe vindo assim em lufadas inéditas sobre mim que era um machucado só, estancava qualquer dor. Se confessasse, poderia perdê-la de novo. Então perdi um dedinho, um mísero dedinho pra ganhar uma mãe.
Fui crescendo feliz com mimo por aquela mãozinha manca. Na escola, no primeiro dia de aula, me divertia em enfiar essa falange vitoriosa no nariz para que a professora de estréia pensasse que havia todo o dedo dentro dele. Ela repreendia: o quê é isso Cristina? Tira o dedo do nariz! Que coisa feia, menina feia que você é. Vai se machucar assim. Então, eu tirava a falange mínima, quebrando a ilusão ótica no nariz da mestra. E ela: ô, desculpa querida, me perdoa, a titia não sabia...E olhava com olhos de se olhar com pena sobre os aleijados e muito arrependimento daquela gafe. Eu gostava da cena. Repeti isso por todo primeiro grau, a cada primeiro dia de aula. Era uma beleza.
Nunca mais perdi minha mãe. Nunca mais fiquei boa do dedo e nem ruim dele. Nunca quis ele de volta. Quem quis ele era a minha mãe. Por muito tempo, fiquei dando meus pedaços para ser amada. Agora não.Minha mãe ainda quer meu dedo de volta. Eu não quero mais nada. Tenho mãe. Dar um dedinho por uma mãe é muito pouco. Antes de mim, ela não tinha um dedinho de consideração por ninguém dos filhos. Agora tem.
Eu pequena, olhava aquela hereditariedade de desafeto, aqueles irmãos vindo antes de mim sem afago de mãe. Eu caçula, observava e pensava: qual será a escala para escalá-la? Nada. Era sempre uma mãe distante, mãe montanha, mãe gigante, mãe longe, não imbuída de nos amar, não incumbida dos mais naturais cuidados: merenda, beijo, histórias na hora de dormir, preocupações pentelhas – Não suba no muro, não caia daí!
Ai, era uma mãe extra mater. Parecia que estivéramos todos fora dela quando dentro. Até que um dia o irmão do meio adoeceu sinistramente na sexta e no domingo definitivamente nos deixou. Eu mal chorava. Tudo em mim eram olhos espantados de ver minha mãe assolada de uma ternura mórbida, porém ternuríssima, sobre o corpo: meu filho, meu amado, meu preferido, minha vida. Proferia ela amorosos impropérios destoantes do que eu entendia como real até então. Na dor da perda, minha mãe amava mais aquele filho do que a todos quando nasceram: filho meu, bendito filho meu, o que será de mim?
Compreendi que a culpa disparava nela um amor retroativo, forte, maravilhoso que, se não ressussitara meu irmão, tamanha sua força, em mim produzira uma extensa lavoura de esperança de afeto.
E fora assim desde então. Se algum adoecia, minha mãe fechava as portas dos jornais, da televisão, do marido, do mundo, pra ser só mãe daquele filho enfermo. Cabeceiras insones, histórias contadas até a febre se render, beijos longos que diziam: não me deixe amado, não me deixe.
E eu? Eu tinha era uma filha da puta de uma saúde que teimava em não me largar. Todo mundo lá em casa pegava gripe forte, porque ainda não existia dengue, pegava hepatite tipo analfabeta, porque ainda não havia classificação, caxumba, catapora e infecções sucessivas de garganta. E eu, boinha da silva! Me encostava em todos, me oferecia para cuidar; pequenina ainda, queria respirar o ar contaminado do sangue irmão. E nada. Ela mesmo dizia: essa não precisa de mim. E eu precisava.Então passei a perseguir acidentes naturais, árvores altas, bombas proibídas em São João, altas velocidades em carrinhos de rolimã, mãos perto demais das fogueiras, mas nenhum galho fraco era meu cúmplice, nenhuma bomba amiga minha, explodira, nenhuma ladeira era minha companheira, nenhuma chama minha irmã.
Um dia, tinha só cinco, fui na gráfica do meu pai. Pensei, vou machucar um pedacinho do meu dedo, vai doer, vai ter sangue, curativo, lágrimas de minha desejada mãe, alguma febre, choro meu, colo, colo, colo e, só depois, muito depois, conserto. Só que a máquina era lâmina e minha matemática, pouca. Calculei mal. Pus o mindinho na guilhotina e fechei os olhos pensando nos olhos de minha adorada mãe que eu ainda não havia experimentado acolhedores sobre mim. Eu era a última, a menorzinha, a despedida da prole, carregava a impressão de ter nascido e ouvido um adeus ao mesmo tempo. A máquina decepara meu dedo. Deixara apenas uma falange-cotoco primeira, uma base de dedo. Foi rápido. Sangue, muito mais sangue do que eu previa. Torpor. Meu pai desesperado trazido amparado pelos empregados eu não vi. Vi só minha mãe morrendo de dor pelo dedinho meu que perdi e que em mim não doía e nem fazia falta. - Minha filha, minha filhinha adorada, minha preferida, minha garotinha amada, mamãe tá aqui, tá doendo? Responde, tá doendo? E, eu mentindo: muito mamãe, muito. Mas, não doía nada. Se doía, o amor de minha mãe vindo assim em lufadas inéditas sobre mim que era um machucado só, estancava qualquer dor. Se confessasse, poderia perdê-la de novo. Então perdi um dedinho, um mísero dedinho pra ganhar uma mãe.
Fui crescendo feliz com mimo por aquela mãozinha manca. Na escola, no primeiro dia de aula, me divertia em enfiar essa falange vitoriosa no nariz para que a professora de estréia pensasse que havia todo o dedo dentro dele. Ela repreendia: o quê é isso Cristina? Tira o dedo do nariz! Que coisa feia, menina feia que você é. Vai se machucar assim. Então, eu tirava a falange mínima, quebrando a ilusão ótica no nariz da mestra. E ela: ô, desculpa querida, me perdoa, a titia não sabia...E olhava com olhos de se olhar com pena sobre os aleijados e muito arrependimento daquela gafe. Eu gostava da cena. Repeti isso por todo primeiro grau, a cada primeiro dia de aula. Era uma beleza.
Nunca mais perdi minha mãe. Nunca mais fiquei boa do dedo e nem ruim dele. Nunca quis ele de volta. Quem quis ele era a minha mãe. Por muito tempo, fiquei dando meus pedaços para ser amada. Agora não.Minha mãe ainda quer meu dedo de volta. Eu não quero mais nada. Tenho mãe. Dar um dedinho por uma mãe é muito pouco. Antes de mim, ela não tinha um dedinho de consideração por ninguém dos filhos. Agora tem.
Este texto foi publicado no livro Conto de Vista, Elisa Lucinda.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Menina - Maria Tereza

Jovem negra
muitíssimo bem acompanhada
na boa sorte,
amor incondicional
sonho em forma de sonho
asas negras que voavam de verdade
borboletas multiplicadas com toque bom
dedicação na música missão
fluindo inteligência natural
e o mundo era grande
absurdo tão fabuloso e surpreendente
horizontes de planícies a serem percorridas
vibrações musicais elétricas
no baixo preto que tocava
### Maria Tereza, poeta, cantora, atriz. Tem publicado dois livros Ruidos, 2004 e Negrices em Flor, 2007, no qual este poema acima foi publicado.
Mais informações:
sexta-feira, 10 de abril de 2009
Este conto do Rodrigo Ciriaco deveria se chamar " Um por amor, dois pelos livros", mas chama-se A QUEDA

Acho melhor a gente voltar quando não tiver ninguém. Vamo chegá, mete o pé na porta, solta os cara e sair.
Cê tá louco Querô? Cheiro cola e comeu a lata? Já viu o tanto de chave e cadeado que tem, essa grade no portão. Cê acha que vai estourá com esse seu pezinho.
Aí, tá me tirando Baleia?
Êh, vamo pará com a treta aí. O negócio aqui é sério. A gente já tem todo o esquema traçado Querô. Cês deram um rolê pelo pavilhão?
É, naquelas né Pedro. Aquele véio fica de marcação. Mas conseguimo fazê uma lista de cada cela.
Passa aê, deix’eu ver: Mendes, Rosa, Drummond. Hum, João Cabral, Vaz, Bandeira, Sacolinha, he, he, esse é dos bom. Mas, só tem homi aqui mano?
Você nunca foi numa cadeia jão. Lá num tem essas coisa de homem com mulher não.
Caraiô, mas cê é burro pra cacete hein Querô.
Tô te avisando Baleia, vô te cobrir de sôco.
Ô, ô, ô, vocês são duas bichinhas mêmo hein. Só ficam brigando. O Baleia tá certo Querô, isso aqui é a Revolução, num lembra? A gente vai incendiá a Bastilha. E aqui não tem essa separação não. Acrescenta aí: Clarice, Dinha, Lygia, Cecília, Elizandra.
Mano, num vai dar pra levá todo mundo. E o Veríssimo, o Vinícius. O Plínio cara!
Infelizmente alguns vão ter que ficar. É como dizia a minha avó: vão-se as mãos, ficam os dedos.
Nóóóóóssa, que viagem jão!
Trocou tudo o Pedro, há há há há.
Xiiiiiiiiiiii!
Aí, vamo falá mais baixo que o Alemão tá de marcação. Querô, repassando o plano.
Tá, cada um pega a touca e vai prum corredor.
Certo.
O Baleia vai latir.
Isso, e aê?
Êh, eu sei do baguio mano. Pergunta pra ele agora.
Fala aí cadela.
Tá forgado hein Bala. A gente começa a tirar os livros, você assobia, dá o grito e a gente responde em coro.
E sai correndo.
Não, fica esperando o tiozinho pegá nóis. Moscão.
Então é isso rapá. É tudo nosso! Sem afobação, sem nervosismo. Chegou a nossa vez. Cês foram escolhido a grão. Isso num é pra qualquer um não. A gente vai ficá na história da escola. Na humildade, na malandragem. Sem pagá simpatia. Um por amor, dois pelos livros.
Um por amor, dois pelos livros!
Xiiiiiiiiiiiii! Silêncio.
Vai, vai, vai. Cada um pro seu corredor.
Meninos, vocês já sabem: um de cada vez, por favor.
Au, au, au. Auuuuuuuuuuuuuuuuuuuu.
Vamos calar a boca Rogério? Maicon, posso saber onde você pensa que vai com essa pilha de livros. Parece que não conhece as regras. Ermeson, Ermeson! O quê é isso? Desce já dessa mesa.
Eu sou Pedro Bala, descendente de Zumbi. Irmão de Lima Barreto, neto de Lampião. Isso aqui é a Revolução Alemão. Livros são pra mexer!
Livros são pra mexer! Êêêêêê...
Seus estrupícios, vamos parar com essa bagunça. Vocês estão na Biblioteca! Ei, ei, vocês não podem sair com esses livros não. Volta, devolve aqui seus moleques!
Corre, corre, corre.
Ô Direção!
Publicado no livro TE PEGO LÁ FORA, Rodrigo Ciriaco, 2008, Edições Toró.
Saiba mais:
http://www.edicoestoro.net
####Já falei para o Rodrigo que amei este conto, na verdade o livro inteiro, mas este em especial, não porque sou citada, mas pelo que ele representa, estamos sempre tendo que saquear bens culturais, quem ama muito precisa fazer sacrificios, lembro que uma vez queria dar de presente um livro, mas eu era novinha e não trabalha, ainda estava no ensino médio, tive que ficar quase uns dois meses sem lanche para comprar um livro do Malcolm. Faz parte...risos.
Meus leitores vão estranhar a publicação deste conto, pois me propus a publicar textos de mulheres, mas este é universal...risos..
Beijos, Rodrigo.
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Que ansiedade, Dexter!!!
Foto: Marques RebeloQue ansiedade! Fiquei feliz de vê-lo de relance. Que sensação boa, vê-lo bem.Acredito que a melhor sensação é ver as pessoas que amamos e admiramos bem.
Queria ter me aproximado, mas como fã paralitica, me contento olhar de longe e ver que está bem.
Sábado, dia 11 de abril de 2009, o dia que a terra vai tremer e rap nacional esquentar....
Dexter..." A Fúria negra ressucita outra vez"
Axé, irmão.
Tamo juntos.
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