sábado, 29 de maio de 2010

"Conhecer para se reapropriar"






Acordei cedo e um exemplar de jornal sorrindo-me pela manhã. Um misto de eu posso conhecer o mundo, como ele é, ou como ele é mostrado por um determinado grupo de pessoas. Um sentimento de vingança. Chegou este determinado jornal no labirinto da minha residência com entradas secretas apenas atravessadas pelos seus moradores.

Pensei na relação do poder, não é somente o papel chamado dinheiro que tem poder, o papel chamado jornal também tem poder, o papel chamado livro também traz poder.
E o papel que você escolhe encenar, interpretar, vivenciar também traz poder.
" Conhecer para dominar", este foi o lema da construção do nosso país (que acelera os batimentos do coração para a bola que rola no estádio e fecha os olhos para as bolas que giram, no farol, nas maõs de crianças malabares).
Pensei no nosso papel...cidadãos e cidadãs das periferias, vivenciando este contexto histórico que os holofotes apontam na nossa direção, apesar de ainda continuarmos nos cantos do mundão. Mas já podemos nos orgulhar da nossa cultura da forma que vem sendo criada, nossa arte multifacetada...veio em meus pensamentos o " Conhecer para se reapropriar", hoje vejo nossos artistas conseguindo acessar os códigos de editais públicos, sinto essa reapropriação de grupos como Capulanas e Brava Companhia, conquistando editais como o de Fomento de Teatro, que têm ganhadores cativos há anos...
Sinto esse balançar nas estruturas de poder, como se fossemos um pequeno ratinho roendo as bases, os alicerces de uma gigantesca coluna, aparentemente inabalável..
Neste momento qual é o papel e qual é o poder que queremos ter?
É preciso criatividade, algo tão familiar e cotidiano que exercemos a todo momento e nem nos damos conta por ser nossa arma ou instrumento de sobrevivência, estamos criando o tempo todo, por exemplos, quando estamos fazendo uma comida e falta um ingrediente na receita e substituimos por outro que aparentemente não combinava...ou quando temos determinadas peças de roupas e colocamos vestido e calça, juntos, aparentemente não ficava bem..hoje é moda...ou ainda quando pintamos um cômodo de cada cor, porque as tintas não foram suficientes, criamos, assim, um novo estilo de decoração. Ou quando, juntamos caquinhos de azulejos fruto do lixo de uma construção de luxo e pegamos cada caquinhos e compomos o nosso mosaíco....


Pelos exemplos, criatividade é o que não nos falta...Quando misturamos várias linguagens artísticas num mesmo espetáculo também é se apropriar do nosso lado criativo...

O que é a criação?? Seria brincar de ser Deus? Seria execer algum papel? Seria reapropriação? Seria retomada? Seria poder?


Criar + Papel = Poder

Poder - Papel = Criar

Papel x Criar = Poder

Poder / Criar = Papel


Não sei bem quais dessas equações serão usadas, mas " Conhecer para se reapropriar" pode ser a nossa diretriz...

Axé.


Elizandra Souza








quarta-feira, 26 de maio de 2010

Flores...Amarelas...Flores Maria Tereza....

Toda vez que alguém se vai...fico pensando se ofertei minhas flores em vida...Ontem teve uma homenagem para a Maria Tereza na Ação Educativa...fiquei emocionada..me perguntando sobre isso...sobre amigos...sobre flores...sobre os diversos universos que contém em um única pessoa...Tereza mulher multifacetada...multi=artista....canto, dança, beleza, poesia....um poema, uma canção de amor, de amizade....
Não tenho muitas palavras para descrever o sentimento, a energia....
Ficou no meu peito uma vontade de vida, uma vontade de ofertar as flores em vida....lembro muito de uma canção que Mariene de Castro interpreta maravilhosamente bem " Me dê as flores em vida, um carinho, uma mão amiga, que é para aliviar meus ais....depois que eu me chamar saudades não preciso de vaidades..quero preces e nada mais......"
Axé..aos amigos...e aos leitores deste blog...
Elizandra

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Esta música ficou ainda mais gostosa na voz de Renegado...

Nóis Não Usa Os Bleque Tais

Adoniran Barbosa

O nosso amor é mais gostoso
Nossa saudade dura mais
O nosso abraço mais apertado
Nóis não usa as bleque tais

Minhas juras são mais juras
Meus carinho mais carinhoso
Suas mão são mãos mais puras
Seu jeito é mais jeitoso
Nóis se gosta muito mais
Nóis não usa as bleque tais

O nosso amor é mais gostoso
Nossa saudade dura mais
O nosso abraço mais apertado
Nóis não usa as bleque tais

Minhas juras são mais juras
Meus carinho mais carinhoso
Suas mão são mãos mais puras
Seu jeito é mais jeitoso
Nóis se gosta muito mais
Nóis não usa as bleque tais
Nóis não usa as bleque tais

Amanhã (dia 21,a partir 19h) na Ação Educativa, Funky Train!!!


No dia 29, bate papo - Literatura e Futebol com Akins Kinte.

Foto: Cassimano

LITERATURA E FUTEBOL

As relações entre literatura e futebol serão debatidas por José Miguel Wisnik (professor de teoria literária, compositor, autor do livro Veneno Remédio, sobre futebol no Brasil), José Roberto Torero (escritor, cineasta e colunista de esportes) e Akins Kinte (poeta, diretor do documentário "Várzea, a bola rolada na beira do coração"). Mediação de Xico Sá (escritor, colunista do jornal Folha de S. Paulo e comentarista esportivo).

Dia 29 de maio às 15h

BIBLIOTECA ALCEU AMOROSO LIMA

Rua Henrique Schaumann, 777

Pinheiros 05413-021 São Paulo, SP

Tel. 11 3082-5023

terça-feira, 18 de maio de 2010

Sonhos roubados= Meninas da Esquina

Foto: Alessandro Buzo.Pré-estréia do filme Sonhos Roubados, produzido pela Brazukah!


Eliane Trindade = Sandra Werneck....
Jornalista= cineasta...
Realidade = Ficção....
Fazia um tempo que não li um livro pra mim...não que os demais livros que andei lendo na faculdade também não fossem pra mim..mas o livro de Eliane Trindade, não carregava a responsabilidade de ler para a Academia, para o TGI, TCC, Monografia como queiram denominar...que no final é trabalhoso do mesmo jeito..
Então, no dia 13 de abril,no mês passado, eu fui "esfriar" a cabeça no Espaço Unibanco a convite da Brazukah assistindo " Sonhos Roubados", por coincidência encontrei o Buzo...e assistimos a sessão juntos...
Vamos ao filme e ao livro...
Como sempre filmes baseados em livros trazem a essência capitada pelo cineasta e não a cópia fiel...Sonhos Roubados/ Meninas na Esquina me impressionou muito, pois é uma realidade de exploração sexual com adolescentes que me choca e deixa perplexa.. essa vunerabilidade social qua meninas oriundas da periferia estão expostas, principalmente meninas negras, que são vistas pelo imaginário social como um objeto de satisfação do homens brancos decorrente da herança escravocrata do Brasil.
Os principais motivos que levam meninas a serem vítimas da prostituição infantil esta relacionado ao fato de pertencerem a familias desestruturadas que não possuem condições básicas de educação, saúde e alimentação, mas também pelo consumismo, adquirir bens que não podem ser comprados pelas suas famílias.Os principais responsáveis também são os aliciadores de menores e a pedofilia praticada por homens idosos.
Uma questão importante que nos dois produtos culturais são discutidos é a inocência dessas meninas, pois elas não se sentem vítimas, e acreditam que estão vendendo o que é seu por direito e a malicia, pois quando elas querem ameaçar os agressores,elas os ameaçam dizendo que vão denunciar...
A denúncia na visão das meninas é vista com descaso, pois elas não se sentem beneficiadas quando fazem esta prática, pois as autoridades responsáveis em muitos dos casos, não dão credibilidade ao fato ocorrido e as tratam com indiferença.
Eu particularmente, gostei dos dois produtos culturais que tem a visão da mulher sobre o assunto...os diários das adolescentes, a jornalista, a cineasta....
Recomendo... que leiam, assistam,mas principalmente reflitam...
Axé.!
Elizandra Souza

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Amanhã no Senac Consolação acontecerá a exposição das fotos de várzea do Cassimano...e exibição do doc. Várzea: A bola rolada na Beira do Coração!

Livraria Suburbano Convicto convida Mc Rapadura

LIVRARIA SUBURBANO CONVICTO

Ontem 11 de Maio de 2010, na Rua 13 de Maio, 70, 2º andar, às 19h. Aconteceu um encontro mágico entre pessoas, música, livros...embolados pelo Hip Hop.
Antes de falar do convidado, gostaria da família que proporcionou o encontro. Alessandro Buzo, Marilda Borges e Evandro. Sim, uma família! Marilda fotografa e atende na Livraria e na Doceria, Evandro atende na Doceria e declama poemas (tudo justamente remunerado) e Alessandro Buzo conversa com os amigos...risos..brincadeira ele recepciona, vende, sorri...um trabalho exaustivo, num é verdade?
Marilda Borges e Alessandro Buzo
Adorei o espaço, recomendo que vá, mesmo que seja para consumir uma bala, tem um aconchegante sofá, que pode ser utilizado para apreciar sem moderação poemas, textos, contos...cd's...Fiquei orgulhosa...de conhecer a Livraria Suburbano Convicto, não sei quem ler este blog, mas se gostar de literatura produzida na periferia é uma ótima referência. Encontrará de tudo um pouco...roupas, cds, dvd's, livros, chocolates, bonés...Estou escrevendo tudo isso, porque, nós somos responsáveis por incentivar financeiramente, os nossos empreendedores, pois não é fácil, manter um espaço como o que a Família do Buzo está investindo...porque só de sonhos a Livraria não se sustenta, precisa de pessoas acreditando que é possível..
Evandro, Alessandro Buzo e Mc Rapadura (Ceará) Foto: Marilda Borges
VAMOS AO CONVIDADO ....
Mc Rapadura...eu conheci como todos os apreciadores, amantes e amados do Hip Hop, por meio da sua participação com o Gog, fiquei contente com a sua fala...as dificuldades são semelhantes, mas cada um modela da melhor forma a superação...ir além do que já estava previsto como ele mesmo diz e canta...Meu apreço por ele, vem pelo Hip Hop minha paixão maior, depois pelas origens nordestinas...mas sobretudo pelo talento e pela qualidade do trabalho...Foi um bate papo muito interessante, gosto de ouvir o universo das pessoas pelas suas próprias palavras..uma coisa é ouvir de alguém, outra é ouvir do protagonista...
Ele afirma com convicção as origens, a resistência das vestes, dos falares do nordestino...
Com uma pergunta,ele trouxe algo que ainda me deixa chateada, que é a relação dos mc's, das pessoas envolvidas com o Hip Hop com a literatura, que é a pouca leitura, sendo que eu considero uma ferramenta essencial para alimentar o rap. No entanto, é compreensível, estou citando apenas para dizer que reparei, no que pode parecer um detalhe...afinal, estavamos numa Livraria...e que é um desafio nosso, escritores da periferia conquistar os Mc's traze-los para a literatura, afinal eles são excelentes poetas...que pode somar com a escrita...Sou uma apaixonada pelas palavras, seja oral ou escrita...o importante é que seja dita!(Tá parecendo um clichê, eu não ligo, gosto de clichês)....haha...
Antes que eu esqueça o motivo que levou o Mc Rapadura na Livraria...lançamento da sua Fita Embolada - Na boca do Povo, com 8 faixas inéditas...antes que pergunte, ainda não ouvi...assim que ouvir, comento o trabalho...


Mc Rapadura e seus discos... Foto: Marilda Borges Elizandra Souza (Minha sósia) e Mc Rapadura - Foto: Marilda Borges
Meus queridos amigos de muitas horas, além dos eventos...Alessandro Buzo e Robson Canto Foto: Marilda Borges

Conheça mais sobre:
Alessandro Buzo
Mc Rapadura

terça-feira, 11 de maio de 2010

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Identidade

Auto-retrato Elizandra Souza


Meu nome é Elizandra
Filha do trovão e do vento...
Gosto de pensar as palavras
...ler os silêncios
...brincar com os livros
...amar é o verbo que mais sei conjugar
Passado, presente, futuro...
Eis que um dia rascunho... maré e terra...
Terra e maré... sou de água, mas sou de terra
Sou de terra e de mar
Quero sentar na areia, receber de leve uma maré
Amar com calma e velocidade
Com velocidade amar....

Sara Tavares - Quando dás um pouco mais

Sara Tavares, é a voz e a imagem que quero para acalentar os meus dias...imagem e semelhança...mulher preta de dread's...


Tem mais sabor se é por amor

brilha mais o que é bonito

Kuya bué... se for sem pé

kuya bué... se for na fé



É bom sinal se é natural deixa fluir



GOSTO QUANDO DÁS UM POUCOMAIS DE TI,

FICO FELIZ QUANDO DÁS UM POUCO MAIS DE TI



Deixa cair o véu, prometo não cairá o céu,

deixa-te revelar...

prometo a música vai te embalar

deixa-te levar de olhos fechados,

tens que te abandonar para poder voar



GOSTO QUANDO DÁS UM POUCO MAIS DE TI,

FICO FELIZ QUANDODÁS UM POUCO MAIS DE TI



Balança na mudança, com esperança,

flutuo balançando feito criança.

O nosso (meu) balanço é...?

Uma trança de cabelo de uma deusa do olimpo celeste

que a beleza sempre se manifeste,

deixa-te levar prometo a música vai te embalar,

sente a frescura: brisa doce na cara



Edifica positiva, Energizaçao, saboreia o dia.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Maria Tereza, descanse em paz!!!

* Na segunda-feira fui visitá-la, ela fez um esforço tão grande pra me doar algumas palavras...a vida, a saúde...são palavrinhas tão pequenas, mas trazem o sentido de tudo. Estou triste pela situação. Descanse em paz. Sei que vai alegrar o outro lado da existência..como alegrou este nosso lado aqui..Pra mim fica este sorriso e a vontade de viver, de doar-se, de amar, cantar, dançar e escrever..Muito axé do outro lado do Olorum.





Maria Tereza com seu sorriso lindo lançando o Negrices em Flor na Ação Educativa, em 2007, publicado pela Edições Toró.


Akins Kinte e Maria Tereza, agosto de 2007.

Elizandra Souza, Zinho Trindade e Maria Tereza, dezembro de 2007.



Aquilombados - Maria Tereza



É dos olhos que sai o mar efervescente dos aquilombados
É do mar que sai os olhos efervescentes dos aquilombados
Nossas vozes, nossos tons são peles aparceiradas
É necessário profundidade pra imantar da terra verdades
Somos língua viva botando fogo no sereno
Na feira, no ônibus, na roda tem
Na fila, no trânsito, elevador também
Com suavidade, com feminilidade, com tudo que houver
necessidade
Observo enquanto errando acerto
Na São Paulo camaleão feminina, da norte mesmo ao sul
extremo
Salves! A quem deve ser saudado
Minha terra tem fagulhas que me fazem enxergar que amor
é inteligência
É preciso exercitar.


Poesias de Maria Tereza

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A bola vai, a vida vêm...

As Mulheres na Várzea....

Com o time tatuado no peito

Dribla a segunda, a primeira e a terceira

Dança no meio do campo e na beira

Troca o vestido pelo calção

O salto pela chuteira

A meia de seda pelo meião

Bebe pelos pés a força ancestral

Frágil é apenas a grama

Que não sobreviveu no lamaçal...

Mulheres que costuram histórias

Na medida em que a bola vai, a vida vêm

Sábado abre alas,

Domingo se cala

Chega segunda.

Seus avessos contém pratos e patroas

Crianças nas costas e nos seios

Suas mãos perfumadas de cheiros...

Mulheres na várzea

Da vazão ao infinito

De um universo mais bonito

Uma sinestesia de alegria e dor

Um sopro de vida e um suspiro de gol

Risadas ritmadas aos gritos

Fogos que estrelam o céu

A bateria que cala os olhos, quando a bola rola

A mulher que espera o samba, o abraço, o batuque

O coração que berra, emudece e insulta...

A bola vai e a vida vêm

Dribla, corre e desvia

Vestidas de terra, gira e gira,

Segura a bandeira e firma o passo.

recebe a força do barro

Rola, rola, rola

Mas a chuteira crava suas garras no chão

Mulheres na várzea

Mantém o olhar de rebeldia

Lustram o emblema do time que aprecia

Em volta do campo, enquanto eles jogam

Elas cultuam seus rituais:

Torce pelo gol,

Retorce a água no enxágüe do uniforme

Torce para que o jogador não retorça o pé

Contorce o frio no abdômen

Vibra com o destroce do adversário

A poeira entre o pé, a bola e o chão

A bola vai e a vida vêm....

*Poema produzido para os extras do documentário Várzea: a bola rolada na beira do coração, do poeta Akins Kinte, lançado em fevereiro de 2010.



sexta-feira, 23 de abril de 2010

Salve, São Jorge!


Oração a São Jorge


Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me vejam, e nem em pensamentos eles possam me fazer mal.

Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar, cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar.

Jesus Cristo, me proteja e me defenda com o poder de sua santa e divina graça, Virgem de Nazaré, me cubra com o seu manto sagrado e divino, protegendo-me em todas as minhas dores e aflições, e Deus, com sua divina misericórdia e grande poder, seja meu defensor contra as maldades e perseguições dos meu inimigos.

Glorioso São Jorge, em nome de Deus, estenda-me o seu escudo e as suas poderosas armas, defendendo-me com a sua força e com a sua grandeza, e que debaixo das patas de seu fiel ginete meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós.

Assim seja com o poder de Deus, de Jesus e da falange do Divino Espírito Santo.

São Jorge Rogai por Nós.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Surtando aos montes....citações, conceitos, ABNT....




Salve aos amigos e amigas que acompanham o blog.


Alguns sabem o motivo do meu sumiço nos últimos 50 dias. E outros não.


1. Meu pai ficou internado por 45 dias em um hospital público.


2. A minha tia (irmã do meu pai) faleceu com câncer na vesícula neste periodo que ele estava internado.


3.Estou escrevendo meu trabalho de conclusão de curso, uma monografia sobre a invisibilidade da mulher negra nos meios de comunicação...




Neste momento, o que mais me preocupa são os prazos de entrega da monografia...estou surtando cada dia um pouquinho...




Saudades da Cooperifa, saudades do Sintonia, saudades de mim mesma, saudades de ler livros por prazer, escrever poemas por necessidade......




Enquanto, não fechar este ciclo estou meio assim.....


Beijocas a todos que torcem por minha felicidade...


Elizandra Souza

BANDO DE TEATRO OLODUM



O grupo, formado por atores negros, nasceu no Pelourinho em 1990 e já produziu cerca de 20 espetáculos de teatro e atuações no cinema e na TV. O Sesc Vila Mariana apresenta três peças da companhia.

Dias 17 (sábado, 15h30) e 18 (domingo, 11h). Áfricas – espetáculo infanto-juvenil traz à cena o continente africano, por meio de história, povo, mito e religiosidade. Entrada R$ 12,00 (inteira), R$ 6,00 (meia) e R$ 3,00 (carteirinha do Sesc).

Dias 16 e 17 (sexta-feira e sábado, 21h) e 18 (domingo, 18h). Ó pai ó - espetáculo mostra como os moradores e freqüentadores obrevivem
no bairro histórico do Pelourinho em Salvador. Entrada R$ 12,00 (inteira), R$ 6,00 (meia) e R$ 3,00 (carteirinha do Sesc).
Sesc Vila Mariana – Rua Pelotas, 141. Vila Mariana. Entrada de R$ 3,00 a R$16,00. (11) 5080-3000.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Palavra Vazia

*A imagem é de uma mulher negra falando e agindo na sua comunidade...Esta foto é o ideal...apenas reflita...A palavra tem poder e ação. E a sua palavra condiz com a sua ação???

O exercito enfraquecido
Transbordando vaidade
Esquecido da luta
Transformado em rebelde sem causa
Iludido com fama, dinheiro...
Seduzido pelo banal
Por que não marcha rumo ao sol?
Por que não canta o hino da liberdade?
Erga a bandeira da igualdade
Avance contra o causador do mal
Reaja a luta não acabou
É fácil ser um falso vencedor
Não adianta vender esperança
Se dentro de você ela congestionou
A palavra volta como lança afiada
A mascara cai no momento crucial
A apresentação encerra, e o que sobra?
Palavra vazia que sem ação evapora.


*Este poema tem alguns anos que produzi, mas ele continua tão atual que resolvi postar.


Elizandra Souza


quarta-feira, 24 de março de 2010

O Globo nega-se a publicar anúncio de campanha pró cotas


Mariana Martins – Observatório do Direito à Comunicação 16.03.2010

A negativa do jornal O Globo, no início do mês, em publicar uma peça publicitária da Campanha Afirme-se em defesa das ações afirmativas relacionadas à questão racial recoloca de forma explícita um importante debate acerca do direito à comunicação.
O episódio estabelece uma situação de fato em que liberdade de expressão é confundida com liberdade comercial das empresas privadas de comunicação. A publicação, mais antigo veículo do maior grupo de comunicação do país, alega possuir uma política comercial específica para o que chama “peças de opinião” e, por esta razão, teria mais que decuplicado o valor a ser cobrado pela veiculação do anúncio ao tomar conhecimento de que se tratava de uma campanha pró cotas.

O pesquisador sênior da Universidade de Brasília Venício A. de Lima diz que este é um caso que merece ser observado a partir das diferenças entre liberdade de imprensa e liberdade de expressão. A primeira, na opinião do professor, está relacionada à proteção dos interesses daqueles responsáveis pelos veículos de comunicação e não deve ser confundida com a segunda, que é um direito humano e, no Brasil, constitucionalmente positivado. Lima pondera que a liberdade de expressão, no atual contexto das práticas de comunicação, depende da inserção de opiniões diversas nos grandes veículos de massa. Estes, portanto, precisariam refletir não só a opinião dos seus donos.

No caso da não publicação do anúncio da Afirme-se, o que está colocado é, justamente, a utilização de uma política comercial, justificada supostamente pelo princípio da liberdade de imprensa, para restringir o direito da campanha publicizar sua opinião a favor das ações afirmativas e o direito dos cidadãos de receberem informação sobre o tema desde uma perspectiva diversa da dos veículos das Organizações Globo. Segundo Lima, na página de O Globo na internet, o jornal apresenta a tabela de preços comerciais e nela está escrito que a empresa cobra de 30% a 70% a mais em anúncios de conteúdo opinativo. Contudo, no caso em questão, o valor variou em aproximadamente 1300%.

Curiosamente, a tentativa da Campanha Afirme-se publicar o anúncio está intimamente relacionada ao fato de os grupos a favor das ações afirmativas perceberem que não conseguiam espaço editorial, ou seja, na cobertura jornalística regular para apresentar seu ponto de vista.
Assim, por ocasião da audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF) que discutiria entre os dias 3, 4 e 5 de março duas ações de inconstitucionalidade movidas contra a criação de cotas nas universidades públicas para descendentes de negros e indígenas, a campanha resolveu fazer intervenções publicitárias em jornais de grande circulação nacional em defesa da constitucionalidade das leis que estão em vigor.

A intervenção publicitária produzida pela agência Propeg, que também é parceira da campanha, contava basicamente com três produtos: um manifesto ilustrado que seria publicado em jornais considerados formadores de opinião pelos organizadores da Afirme-se, um spot de rádio e um uma vinheta, que estão disponíveis no blog da campanha.
De acordo com Fernando Conceição, um dos coordenadores da Afirme-se, as doações das entidades que fazem parte da campanha e a captação de recursos com outras organizações foram suficientes para pagar a publicação do manifesto em quatro jornais de grande circulação – O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo, A Tarde (BA) e O Globo (RJ). “Nós resolvemos comprar especificamente nesses veículos porque eles já vêm fazendo campanhas sistemáticas contra as cotas há tempos. Como nós temos outra visão e não encontramos lugar livremente para expor um outro ponto de vista, resolvemos comprar o espaço”, explica Conceição.

Como é de praxe nas campanhas publicitárias, a agência responsável passou a negociar o preço do anúncio de uma página inteira a ser publicado no dia 3 de março com os veículos selecionados. Por se tratarem de anúncios ligados a Organizações Não Governamentais, os preços acordados ficaram em torno de R$ 50 mil. O valor exato negociado com O Globo foi orçado em R$ 54.163,20.

Valor impraticável
Fechados os valores, a agência enviou a arte ao jornais. Dois dias antes da campanha ser publicada, a coordenação da campanha Afirme-se foi comunicada pela agência Propeg que o anúncio havia sido submetido à direção editorial de O Globo e que os responsáveis julgaram que a peça era “expressão de opinião”. O jornal dizia que, sendo assim, o valor deixava de ser negociado anteriormente e passava para R$ 712.608,00. “Um valor irreal, impraticável até para anuncio de multinacional”, queixa-se o coordenador da campanha.

Procurado pela equipe do Observatório do Direito à Comunicação, o jornal O Globo não respondeu aos pedidos de entrevista. No entanto, o diretor comercial da publicação, Mario Rigon, concedeu entrevista ao portal Comunique-se ao qual disse que considerou a peça da campanha como “expressão de opinião” e diante disso, “seguiu a política da empresa, que determina um valor superior para esse tipo de anúncio”. “De fato vimos que se tratava de uma expressão de opinião, mas não nos cabe julgar o mérito da causa. É a nossa política comercial, tratamos assim qualquer anunciante que queira expressar sua opinião”, disse Rigon ao portal.

Este Observatório também buscou consultar o Conselho de Autorregulamentação Publicitária (Conar). Por intermédio da assessoria de imprensa, o conselho adiantou que não tem posição sobre o caso, visto que foge do escopo da entidade se posicionar sobre a política comercial dos veículos. “Nós não nos posicionamos sobre regulação de mídia exterior, atuamos exclusivamente sobre o conteúdo das mensagens publicitárias”, disse Eduardo Correia, assessor de Imprensa do Conar. O assessor falou ainda que a entidade precisa ser provocada por processos para se posicionar sobre o conteúdo de uma peça e que nas questões de política comercial das empresas eles não devem opinar.

Ainda analisando o caso, o pesquisador Venício Lima lembra que, diante da falta de regulamentação da mídia no Brasil, as empresas privadas, na maioria das vezes, podem agir como bem entendem e praticar os preços que lhes convêm. Lima acredita ainda que seja provável que O Globo esteja, a partir da lógica comercial, protegido legalmente para fazer esse tipo de cobrança, o que é apenas “um lado da moeda”.

É fato que a liberdade comercial baseia-se na lógica de que as normas podem ser estabelecidas pelas próprias empresas e que, portanto, podem causar distorções quando estas se cruzam com questões editoriais. No caso em questão, fica evidente a falta de transparência quanto aos critérios adotados por O Globo para considerar o anúncio como conteúdo opinativo e aplicar um valor diferenciado. Os outros três jornais que publicaram a peça publicitária não tiveram a mesma compreensão e a tabela aplicada foi a de anúncio publicitário comum.

A Afirme-se move uma ação contra O Globo no Ministério Público do Rio de Janeiro por conta do episódio. A campanha pede que, com base no que diz a Constituição Federal com relação à liberdade de expressão, o jornal seja obrigado a publicar o anúncio por um valor simbólico.
Fernando Conceição defende que a atitude de O Globo foi claramente de abuso de poder econômico e que se configura como dumping, prática condenada pelo próprio mercado. “Foi uma maneira que a direção de O Globo encontrou para cercear o direito constitucional que é a liberdade de expressão por meio do abuso do poder econômico”, denuncia Conceição.

Anticotas
Pesa ainda contra as Organizações Globo como um todo uma constante militância contra as ações afirmativas relativas à questão racial, dentre elas as políticas de cotas para negras e negros nas universidades públicas. Esta militância é liderada inclusive pelo atual diretor da Central Globo de Jornalismo, Ali Kamel. Kamel é autor do livro “Não somos racistas: uma reação aos que querem nos transformar numa nação bicolor”, que nega a existência do racismo e, portanto, da necessidade de políticas reparadoras.

Pesquisa do Observatório Brasileiro de Mídia, citada por Venicio Lima, revela que grandes revistas e jornais brasileiros apresentam posicionamento contrário aos principais pontos da agenda de interesse da população afrodescendente – ações afirmativas, cotas, Estatuto da Igualdade Racial e demarcação de terras quilombolas. A pesquisa analisou 972 matérias publicadas nos jornais Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo e O Globo, e 121 nas revistas semanais Veja, Época e Isto É – 1093 matérias, no total – ao longo de oito anos.

Lima chama a atenção para o fato de a cobertura de O Globo merecer um comentário à parte na pesquisa. Dentre os três jornais pesquisados, foi aquele que mais editoriais publicou sobre o tema, mantendo inalterados, ao longo dos anos, argumentos que se mostraram falaciosos, como o de que as cotas e ações afirmativas iriam promover racismo e de que os alunos cotistas iriam baixar o nível dos cursos.

Lembrando destes dados da pesquisa, Lima acredita que O Globo estabeleceu uma barreira comercial e que, do ponto de vista legal, eles podem estar cobertos pelos princípios da livre iniciativa. “Mas, esta conduta, tendo em vista o conteúdo que deixou de ser publicado, infringe o direito à informação. A questão que fica para o Ministério Público do Rio de Janeiro é legal. Cabe a eles encontrarem alguma forma jurídica de pensar o caso sob o ponto de vista do direito à informação. Para mim, essa postura deixa as Organizações Globo numa situação difícil para posteriormente falar de liberdade de expressão”, conclui o professor.

Dina Di, esteja na paz!!!!!



Tudo de Mim...Dina Di

Sou guerreira do Rap, linha de frente !
Levo a bandeira no peito, indo valente!

Verdadeiro vencedor, vence o medo, vence a dor... é isso que eu sou !!

É minha vida, é minha canção !

É minha briga é meu mundo jão !

É minha vida é minha verdade !
É uma fonte de oportunidade, terapia anti-solidão !

Mente vazia é a oficina do cão !

Tudo é música poesia, minha dor, minha alegria !

Tudo é música !

É tudo de mim, é tudo de mim !

Tudo é música !
Às vezes eu paro, reparo e fico a pensar...

Qual seria meu destino senão cantar...

É minha vida é algo de valor !
É minha sina é meu grande amor !

Minha rima é minha intimidade... um momento de felicidade !

Tudo é fase, tudo é inspiração...

Tudo é nada sem Deus no coração !

Tudo é música, poesia, minha dor, minha alegria...

Tudo é música.
É tudo de mim, É tudo de mim...
Às vezes eu paro, reparo e fico a pensar...

Qual seria meu destino senão cantar (?)

Sou guerreira do Rap, linha de frente...

Porta bandeira, peito equivalente !

Vim do gueto, anonimato, não tenho preço, MULHER DE FATO !
Eu quero é mais cortar o mal pela raiz !

Eu quero paz e ser feliz !

A minha mente é periférica !...

Maluco eu renasci das cinzas da favela pro mundão Dina Di !
Se eu não acredita em mim o mundo vai duvidar a vida é assim !

Não há nada pior do que a falta de fé... sem Deus, sem chance de fica em pé !

Assim qui é !Já não me sinto tão só na imensidão, ovelha perdida sem luz na escuridão...
Procuro na fonte do conhecimento das águas que curam e regeneram por dentro !




quinta-feira, 11 de março de 2010

Sapato Vermelho


Andando sobre os paralepipedos, Flora exibia extravagantemente os seus sapatos vermelhos, modelo scarpin, salto 15 cm. Mas embriagada em sua própria vaidade pisou numa caixa recheada com cimento fresco e seu sapato ficou preso nela.

Ao olhar ao redor, percebeu que estava diante de uma sapataria.

_Graças à Deus! Não ficarei sem ir à apresentação de dança, agradeceu Flora.

Ao entrar na sapataria.

_Boa tarde, Senhora! O que deseja?, perguntou Jorge atrás do balcão.

_Meu sapato ficou preso em uma caixa com cimento e preciso de outro par que combine com o meu vestido.

Jorge só então observou as curvas do pescoço de Flora, desceu pelas alças do vestido branco com flores vermelhas até chegar aos pés, no qual apenas um estava calçado. Ele a admirou em cada detalhe,mas foi interrompido.

_Você tem algum modelo para sugerir?, indagou a moça prendendo entre os dentes uma parte dos lábios.

Jorge pensou, mas não lembrava de nenhum sapato que combinasse com tal bela dama.

_Olha, sapatos que fiquem bonitos com este vestido eu não tenho, mas uma sandália nas cores branca e vermelha ficaria perfeito.Quer experimentar?

Flora esboçou um sorriso desapontado e triste e desabafou:

_ Este sapato é muito especial pra mim,não quero me desfazer.Eu levo a sandália, se você prometer consertar o meu sapato. Pode ser?, sugeriu a moça.

Jorge foi até a prateleira e trouxe o par de sandálias, que sorriam satisfeitas de sair do local.

Flora calçou-as e saiu tão vaidosa como se estivesse com o scarpin vermelho.


*Por Elizandra Souza, produzido hoje na aula de Revista Laboratório.

domingo, 7 de março de 2010

Maré dentro de mim....

*Paraty. Não lembro se esta foto é minha (Elizandra Souza) ou do Renato Cândido.

Estava sentada no meio fio
Passou uma maré agridoce
Batizada de ...
Omare (?)
Oh! Maré (?)
O mar é ....
O vento gaguejou e não entendi ao certo
Véus despencaram sobre o que é o outro
Rótulos rasgados caídos no chão
Palavras confusas, pensamentos embaralhados
Linguagem diversa e confluente
Somos todos um, nas fronteiras do que imaginamos ser
Aprendi a sonhar doces flores
Desejei mar dentro de mim
Cachoeiras desaguando assim como quem só quer partir
Parte de mim, partiu
Mas inteira me tornei
Se terra e mar se completam
Traga ventos, outras marés...
Marés que goste de guaranás
Que fume apenas as brisas dos olhos
Que passei pelo parque, só para caminhar
Lembranças do que é e do que foi
Sede de jogo e de conhecimento
Obrigação – quer palavra mais dura?
Prefiro pisar em areias que movem o mundo
E que em um único segundo
Traga mar aonde eu ir...
Seja no asfalto urbano e penoso
ou nos afluentes dos rios
Não é compromisso que desejo
Gosto de banhar-me de todas as águas
E o mar aonde eu ir...

Elizandra Souza
Fev/2010

quarta-feira, 3 de março de 2010

Vassalagem perdida nos becos



* Elizandra Souza
Não há orixá que dê jeito
Se não tenho fascínio
Peço proteção aos que me regem
Para que nada de mal me aconteça
Nem praga e nem quebranto
Vou até acender uma vela pro meu santo
Para que se esqueça se tenho graça ou encanto
Detesto o fanatismo e elogios
Anjo que me guarda não me deixe só
Prefiro a lucidez dos que ficam quietos
Aos que blasfemam o que não sou
Inventam uma poetisa perfeita
Que passa longe das minhas veias e vestes
Eu rio para disfarçar meu rancor
Detesto parecer o que não sou
Olhos de seca pimenteira
Não me seque, não me queira
Não me cobice, nem me deseje
Sou erva daninha arranque-me de ti..
Procure outro caminho que eu não estou aqui...
Não há orixá que dê jeito
Um sentimento não correspondido..
Vassalagem perdida nos becos
Na janela que não abrirei...

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Poeiras, Paixões e Discos


Colecionadores fazem loucuras para conseguir um vinil de sua preferência

Em meio a poeiras, empilhados em alguma estante velha ou mesmo no chão, começa a garimpagem para encontrar o objeto de desejo de uns poucos e desprezo de uma sociedade tecnológica.

Assim, mobilizados pela paixão, os colecionadores de vinis fazem verdadeiras loucuras para adquiri-los, sendo que está cada vez mais difícil encontrá-los em um bom estado. Numa dessas buscas, Dj Erry-G ou Rogério Dias da Silva, 30, passou 10 horas consecutivas dentro de um sebo, sem perceber que estava sem comer, beber e respirando muito mal por causa do pó. “Hoje tenho problemas de renite e sinusite, por ter o sebo como minha segunda casa”, relata Rogério.
Seu fascínio pelas bolachas começou nas festas de família, já que nunca dançava, ficava responsável por virar os discos e a partir daí este sentimento só cresceu. Tem uma coleção de 3.000 Lps, trabalha como dj e é idealizador do projeto cultural Dos tambores aos Toca Discos, no qual faz um resgate da música negra e sua ancestralidade.

“Acabei com um casamento de 13 anos, porque minha ex-esposa queria disputar espaço com os meus discos, propôs que eu escolhesse: ela ou eles. Fiz minha escolha e não me arrependo”, declara o Dj Cidão, 54 anos.

Sua história com vinil iniciou na época da adolescência, freqüentando os bailes black’s e admirando os discotecários, que eram as pessoas responsáveis por fazer o baile. “Existia uma regra de um discotecário, não ver os discos do outro e as pessoas saiam de várias regiões da cidade para ouvir uma música especifica que eles tinham tocado no baile e o público não sabia qual era”, afirma Cidão. Atualmente tem em torno de 4.000 discos.

“A primeira vez que vi um vinil, foi um amigo meu que mostrou. Eu estava moendo vidro na calçada para fazer serrol para pipa, ele tinha acabado de comprar um LP e me chamou para escutar na casa dele. Fiquei impressionado. Pedi para que ele me presenteasse, mas ele foi escrevendo seu nome na capa do disco e disse que ele nunca seria meu”, relata Márcio Pequeno, 43 anos, conhecido como Dj Lula Super Flash.

Uma das loucuras que Lula fez: “quando eu era office boy, meu patrão pediu que eu fosse retirar uma determinada quantia que equivale hoje á 3 mil reais, mas na volta passei em frente a uma loja de vinis importados, entrei e comprei o dinheiro todo de disco. Cheguei na empresa e pedi para ser mandado embora, pois tinha gastado todo o dinheiro”.

Seus discos preferidos são os compactos, que são os menores que eram feitos para divulgação nas rádios e casas de shows, Atualmente tem mais de 8.000 unidades, trabalha com música e é idealizador do projeto Vinil é Cultura, encontro semanal de colecionadores, dj’s e lojistas.

Segundo Fernando Da Espiritu Santo, 62, lojista de LP’s na região central há 37 anos, casos de separações conjugais, troca de vinil por carro, pagamento de valores altos, entre outras, são comuns entre os apreciadores das bolachas. Fernando foi o primeiro que permitiu que os discos fossem ouvidos antes da compra, “percebi que os meus clientes, nunca sabiam qual música ou cantor queriam levar e por isso coloquei uma vitrola, para que eles pudessem ouvir”.

Um dos pontos em comuns, entre Lula, Cidão, Erry-G e Fernando é que a música armazenada em vinil precisa ser compartilhada, pois a música brasileira é muito rica e desconhecida para a maioria das pessoas. Mas discordam em serem chamados de colecionadores, pois acreditam que estes são os que matam a música, trancafiando-a dentro de uma sala fria e sem vida.

*Por Elizandra Souza, texto produzido para a disciplina de Criação de Textos Jornalísticos III.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

É hoje...Várzea a bola rolada na beira do coração! Parabéns Akins....

Foto: Cassimano

Depois de quase dois anos ouvindo as histórias que cada bola rolada no campo trazem, Akins lança hoje o documentário com o depoimento da velha guarda do futebol de várzea. Este poeta têm a sensibilidade de fazer as pessoas se apaixonarem pelas coisas que ele acredita que são boas e essências para uma vida feliz....O coração deste poeta pulsa como um bom samba, nas palavras carrega todo o lirismo que um apreciador de várzea possui ao narrar um jogo....
Axé.
Dia 08, ás 19h. Cine Olido. É só chegar.!

sábado, 6 de fevereiro de 2010

O homem que engarrafava nuvens





Ontem a convite de uma amiga que tem escrito nas costas “ acracia”, fomos assistir O Homem que engarrafava nuvens, era o filme que eu precisava assistir, um documentário com um pouco da história que os brasileiros não contam, não sabem e não divulgam. Como sempre nas melhores salas de cinema, para poucos, uma sala com 15 gatos pingados, neste caso esta frase feita, se encaixa perfeitamente...(só para não esquecer as rimas, ainda que pobre, mas uma rima).
A história do Baião. Humberto Teixeira, nunca tinha ouvido falar. Nem o nome, muito menos o sobrenome. É uma pena que os compositores são diluídos na voz do interprete a ponto de ficar invisível. Sem dúvida, um homem incrível, amado pelos amigos e músicos e desconhecido pela sua própria filha, Denise Dummont, que ao querer desvendar quem era seu pai, mostrou por meio deste registro, um excelente compositor, re-conhecido para os estrangeiros e empoeirado em algum sebo de discos usados na Pátria gentil...
Enfim, vamos ao documentário, pois o duplo artista versus homem, é um enigma que precisa ser estudada para que possamos compreender melhor...
O documentário, como nordestina que zabumba no meu peito, uma riqueza uma saudade infinda que essa cidade não preenche, ultimamente me encontro muito nas telas, nas páginas escritas por autores diversos, um bom filme pra mim, é aquele que me sacode, me sacoleja. E este me fez chorar, sorrir, questionar......um baião atravessado nos meus olhos..Sim, Humberto Teixeira compositor do hino nordestino Asa Branca, como eu só vim saber agora...e quantos não irão saber nunca. Recomendo. Assistam.....
E Asa Branca para os que amam a terra, a vida e o amor!!!






Bolo de Fubá Cremoso


Hoje me deu uma vontade enorme de comer um bolo de fubá cremoso, mas como nunca tinha tentado fazer, nem a receita eu tinha. Procurei na internet, assustei um pouco com o exagero de colocar um litro de leite, geralmente nas receitas de outros bolos, são no máximo dois copos.
Sou apreciadora de comer, mas adoro fazer. Como a receita ficou uma delicia resolvi compartilhar com vocês. Espero que tentem fazer! Ah, e um café com leite para acompanhar fica um par perfeito.
Segue a receita:
Bolo de fubá cremoso

Ingredientes
2 copos de fubá
2 copos de açúcar
1 copo de óleo
3 ovos
3 colheres de farinha de trigo
1 l de leite
1 colher de fermento em pó
50 g de queijo ralado
Bata os ingredientes no liqüidificador, exceto o fermento e o queijo ralado, que devem ser misturados por último e sem bater
Leve para assar em forno médio até que fique dourado
Fonte: http://tudogostoso.uol.com.br/

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

URGENTÍSSIMO: Moradores da região do Grajaú seguem mobilizados e em Choque com a Polícia

Nesse momento, centenas de moradores do Jd. Lucélia estão paralisando novamente a Av. Belmira Marin, reivindicando seu direito à moradia digna, e denunciando o descaso do poder público. Esses moradores tiveram suas casas inundadas na chuva de ontem, e perderam tudo o que tinham. Ontem à noite, revoltados, eles também paralisaram a avenida, sofrendo por isso repressão violenta por parte da polícia. A expectativa é que ocorra novo confronto.


Moradores da Favela XIX e XX também protestam!!!

Também afetados pela enchente, moradores da Favela XIX e da Favela XX (Rio Bonito) também protestam. Depois de paralisar a Av. Teotônio Vilela, os manifestantes se dirigiram até a Subprefeitura da Capela do Socorro, exigindo uma reunião com o subprefeito Valdir Ferreira. Até agora os moradores não foram atendidos.

Isto é mais uma amostra da terrível situação em que se encontram dezenas de comunidades da região, cujo sofrimento até então foi ignorado. Agora, com o povo erguendo a sua voz, veremos se este quadro permanecerá o mesmo.


Toda Solidariedade às famílias da Comunidade Jd. Lucélia, Favelas 19 e 20 e toda região do Grajaú

Mais uma vez, as obras de drenagem que estão sendo feitas no Jd. Toca mostraram sua “serventia”. Com a chuva de ontem, ocorreu uma enchente nunca vista na área, afetando centenas de casas da comunidade vizinha, o Jd. Lucélia. Por horas os moradores que perderam tudo o que tinham esperaram em vão os bombeiros e outras formas de ajuda, temendo por suas vidas, e principalmente pela vida das crianças e idosos; revoltados com a situação, começaram um protesto, parando a Av. Belmira Marin com os móveis destruídos pela chuva. Aí sim o Estado apareceu, na figura de policiais que agrediram violentamente os manifestantes. Eis aí verdadeira face da “política pública” para a população pobre.

Nesse exato momento, os moradores estão fazendo nova manifestação na Av. Belmira Marin, e a expectativa é que novamente haverá uma resposta violenta por parte da polícia. A luta do Jd. Lucélia é a mesma luta que a do Parque Cocaia I, Jd. Toca, Brejinho, Favelas 19 e 20 e de tantas outras comunidades da região, em busca de seu direito a uma moradia e uma vida digna.


Mais informações agora direto do local: 8104-3028 (falar com Rodrigo)


http://cocaialuta.zip.net
cocaialuta@yahoo.com.br

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Aguardem...Documentário de Akins Kinte!!




Meu coração sem eira nem beira

Beirei em minhas vielas
Bicando sonhos precisos
Nos campos de varias favelas
A beira de tantos sorrisos

Beirando doces lábios
E as idéias de uns velhos sábios
Tristezas também beirei
A margem de uns jogador hábil

Beirando doce ilusão
Num dissabor de companheira
E a beirada do meu coração
Seguiu sem eira nem beira

Beirei doçuras de samba
Versando como beirei
E nas beiras com os bamba
Uma bamba me sagrei

Beiro uma cruel dor
Na beirada que chega
Quando uma bala sem amor
E bala tem amor?
Acertou em cheio o dega

E a beira da divineia
Beira que freqüento
Beiro com poucas idéia
Pá num bagunça o coreto

Doce choro que me beirava
Beiras de um coração sem sorte
Beirado coração sonhava
Mesmos beirando a beira da morte

Beiro e berro nos becos de mim
Me perco nas beiras e acho
O Dega nas beiras com tamborim
Chorando e sorriso a cada passo

E nas beiras pisadas
Guarda amarga e doce situação
No jogo da vida a bola é rolada
Na beira do coração
akins kinte

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Gosto mesmo é da bagunça...


Quando Manuel Bandeira, escreveu meu Porquinho da Índia, eu não era nascida, eu acho..risos..mas eu adoro ficar numa sujeirinha, mas não assim..su-ja, s-u-j-a....

eu gosto de dormir em cima de livros, acordar e dar de cara com as palavras me desejando bons dias, é que a minha bagunça, num é sujeira, mas a minha mãe acha que é ..é bagunça...mas é tudo limpinho...rs...livros, por cima de livros, edições da Agenda da Periferia. Eu gosto de ter a cama bagunçada...ai quando eu vou deitar coloco tudo no chão...e de manhã agasalho os livros de novo na cama. E assim as minhas férias vão passando...é como ficar dias na casa de um namorado, acordar pra dormir, dormir pra acordar...sem c0mpromissos com o relógio...mas minha mãe não entendi isso..e vive repitindo... - Meus Deus como vai ser a casa desta menina?...

Ela não entende que vai ser assim..sem regras...


Mas tem dias que me dá surtos de arrumação, ai é complicado..porque no meio da arrumação me da uma enorme preguiça e sou capaz mesmo de dormir em cima da minha biblioteca inteira...outro dia, resolvi burocratiza-la..só cheguei no livro 20 e deu uma moleza.....ai disse que faria nas proximas ferias...mas eu menti...risos..


Gosto mesmo é da bagunça...mas não mexa em meus livros, sei onde mora cada um, e mesmo quando não os estou lendo, sinto umas saudades...ai preciso abraça-los...e reler nem que seja o final...


Pré-lançamento do projeto Global Lives no Brasil, dia 20 na Ação Educativa


Com exibição de vídeos e bate-papo com David Harris (diretor do projeto), José Santos (Museu da Pessoa), Pedro Gomes ( documentarista) e Rael da Rima (músico/rapper e sujeito do Global Lives). Mediação: Liliane Braga (Rede Sauti Yetu Gorée).

Parte da proposta do projeto que estréia na Califórnia em fevereiro será mostrada em São Paulo com curtas- metragens e vídeos sobre indivíduos dos EUA, Japão, Sérvia, Malawi, Líbano, Índia, Indonésia, China, Kazaquistão e Brasil - onde Rael da Rima foi o sujeito do projeto. David Harris, diretor executivo do GL, está de passagem pelo Brasil, o que torna única a oportunidade para conversar com ele ao lado dos participantes do projeto por aqui. www. globallives.org

Dia 20/01, QUARTA-FEIRA, DAS 17H ÀS 19H
Ação Educativa - Rua General Jardim, 660, Vila Buarque (próximo ao metrô Santa Cecília)QUANDO: 20/01, quarta-feira, das 17h às 19h.
CONTATO: 3151-2333 (c/ Adriano).

Conheça mais:

http://www.myspace.com/raeldarima

http://www.myspace.com/pedro_gomes